Não é todos os dias que o cinema francês apresenta uma obra com uma história que poderia ser facilmente estragada por Hollywood mas que, neste contexto, consegue ser bastante sólido.
Möbius conta a história de Alice (Cécile de France), uma negociante financeira que trabalha num banco. Ela envolve-se num esquema com a FSB, uma agência de serviços de informação russa para investigar o empresário Ivan Rostovsky (Tim Roth). Moise (Jean Dujardin), o agente encarregue da missão, suspeita que Alice poderá ter comprometido a investigação, decide quebrar a sua regra de ouro e interage com ela, nunca revelando a sua identidade. Os dois desenvolvem uma paixão intensa, que irá reverter num jogo de confiança.
Com alguns elementos dos filmes de espiões, muito ao estilo Guerra Fria, e do cinema noir, a obra mostra as ideias expostas de uma forma positiva, com uma realização algo poética, com twists bastante elaborados, ainda que demasiados. Porém, felizmente tudo volta ao seu sítio, nunca deixando uma ponta solta na história.
Um dos grandes problemas é a qualidade poética das cenas de amor entre as duas personagens, que apesar de mostrar o lado mais humano destas, quebra completamente o ritmo comparado com o resto do filme.
Tim Roth não foi completamente mal aproveitado, mas são Jean Dujardin e Cécile de France que roubam o espetáculo, numa intriga amorosa com consequências incalculáveis. No todo, temos assim um thriller bastante sólido e uma boa alternativa para quem quer escapar aos blockbusters de verão.
O Melhor: A ascensão e a queda de Moise sob disfarce.
O Pior: Por vezes confuso em acompanhar e as cenas de amor.

Ricardo Du Toit

