Um assassino de índios, um advogado da cidade de regresso à terra natal e um Índio com os bolsos cheios de alpista e um corvo na cabeça. Estes três são os personagens que, por razões diferentes, se encontram no mesmo comboio. O advogado John Reid (Armie Hammer) procura regressar à sua cidade natal, onde as linhas de comboios estão a ser construídas, unificando os caminhos-de-ferro americanos. Butch Cavendish (William Fichtner) é um prisioneiro com a data do seu enforcamento marcada. Tonto (Johnny Depp) é um índio peculiar que procura vingança pelo extermínio da sua tribo, às mãos de Butch.
Durante essa viagem de comboio, Butch arranja maneira de fugir. Mais tarde, quando o tentavam recapturar, John e o seu irmão Dan (James Badge Dale) caem numa emboscada e Dan acaba por morrer. O próximo passo tomado por John é encontrar Butch e fazê-lo pagar pelos seus crimes, para isso, conta com a ajuda de Tonto.
Esta é a premissa que marcará o desenvolvimento da história. Depois, é criar uma pitada de romance mal desenvolvido, entre John e a viúva do seu irmão, Rebecca (Ruth Wilson). A juntar ao elenco, temos uma concubina com perna de marfim (Helena Bonham Carter) e Cole (Tom WIlkinson), um homem com interesses nos caminhos de ferros, mas com uma conduta que pode levantar dúvidas.
A sinopse/história é como o filme, demasiado longa. O elenco é excelente, mas são demasiadas personagens para desenvolver. Ainda se nota um esforço para criar mini histórias com cada personagem, explicando-se as 2h30 de duração (excessivas) do filme.
Nesta obra, Gore Verbinski procurou usar a mesma fórmula de Piratas das Caraíbas e no final criou-se um filme demasiado ambicioso para as suas próprias capacidades. Quis ser mais do que podia ser e perdeu-se um bom filme, em função de um mau épico. Temos uma espécie de Piratas dos Desertos, com um índio (Depp), a fazer stand-up comedy durante grande parte do enredo, preenchendo assim o tempo e “engonhando” o desenvolvimento da narrativa. Esta situação chega ao ponto de tornar os risos iniciais, devido a Depp e Bonham Carter, em bocejos, havendo uma ligeira melhoria no final. Na verdade, Bonham Carter tinha um papel pequeno, mas os melhores momentos foram servidos pela sua interpretação, repleta de energia e com muita piada. Quanto a Depp, este parecia em modo automático, a usar e abusar das piadas.
Talvez se tivesse menos uma hora, O Mascarilha funcionasse. Poupava-se no orçamento, no tempo e teríamos um filme bem mais lucrativo, pois mesmo com todo o marketing por trás e com Johnny Depp à frente, vai ser difícil a este filme ter resultados satisfatórios nas bilheteiras.
O Melhor: Algumas piadas, a concubina de Helena Bonham Carter e os primeiros 45 minutos do filme.
O Pior: Filme excessivamente longo e cheio de “engonhanços”. Se “Wild Wild West” e “Piratas das Caraíbas” tivessem um filho, “O Mascarilha” seria o irmão com dificuldades de aprendizagem.

Nuno Miguel Pereira

