Neste novo capitulo, Gargamel (Hank Azaria, na versão original) continua na sua perseguição aos smurfs. O objetivo é descobrir a fórmula da sua poção secreta, que lhes dá a magia. Entretanto, Gargamel tornou-se uma estrela do Youtube e tem até um espetáculo de magia em Paris. A ajudá-lo nas suas maldades, conta com os seus dois diabretes (smurfs sem a magia).
Depois de raptar a sua “filha” smurfina, aos smurfs, o mundo smurf fica em alvoroço e juntos, o papá smurf, o vaidoso, o desastrado e o rezingão, voltam à terra para tentar salvar a smurfina. A ajudá-los, socorrem-se de Patrick (Neil Patrick Harris) e Grace (Jayma Mays).
A premissa é simples e os atores de “carne e osso” fazem parte da cultura popular mundial. Temos o Barney (Neil Patrick Harris) de “Foi Assim que Aconteceu” e uma atriz de Glee (Jayma Mays). Isso por si só deve servir para atrair público infanto-juvenil, principalmente na América. Por outro lado, a máquina do Marketing por trás desta produção serve, numa primeira fase, para atrair audiência. Depois espera-se uma história consistente que possa entreter crianças pequenas e, também, pré-adolescentes. Talvez até adolescentes. A verdade é que a avaliar pelo elenco e pela história, fica-se com a sensação que este filme foi maioritariamente feito para o mercado interno.
A história é extremamente infantil e dificilmente crianças com mais de 8 anos vão achar piada ao filme. No entanto, crianças com estas idades dificilmente vêem filmes ou séries com legendas, por isso não vao reconhecer os atores que entram no filme. No entanto, as crianças americanas não precisam de legendas e estão familiarizadas com os atores (recorde-se que Neil já teve participações na “Rua Sesamo” e a série Glee é vista por crianças de todas as idades).
Sendo assim, a única maneira de atrair público fora da fronteira americana seria apelar às gerações que conheciam há bastante tempo os Smurfs (ou Estrumpfes, como eram conhecidos em Portugal) e que agora vêem as séries onde estes atores participam. Para isso funcionar, teria de se adicionar uma história apelativa a duas gerações, o que não sucedeu. Facilmente se percebe que o filme, que até é “fofinho” e tem uma moral engraçada, mas não é transversal em termos de piada (usa-se e abusa-se do humor mais físico) e na qualidade/interesse da história. Talvez as crianças mais pequenas se divirtam com tudo isto, enquanto os pais podem dormir uma sesta de hora e meia, num local arejado, escuro e com ar condicionado.
Um último destaque para a belíssima dobragem feita na versão Portuguesa. Para aqueles que (como eu) franzem o sobrolho à dobragem de atores de carne em osso, a verdade é que aqui era a única hipótese. Um filme tão infantil como este, só com a versão original, com legendas, teria ainda menos hipóteses de ter sucesso. Aliás, os momentos de comédia oferecidos nesta hora e meia, foram cortesia do ator José Pedro Gomes que, sempre que falava, me transportava para a “Conversa da treta”. O carácter reconhecível da sua voz chega para largar um ou outro sorriso.
O Melhor: A dobragem e a moral “fofinha” da história.
O Pior: A história e o facto de ser um filme demasiado pensado para o mercado interno americano. Foi um “Smurfail”

Nuno Miguel Pereira

