Há filmes que mal são anunciados fazem-nos ter altas expectativas, sobretudo se isto ocorrer na mítica convenção San Diego Comic-Con, onde no ano passado Guillermo Del Toro apresentou Batalha do Pacífico numa sala cheia de geeks fanáticos. O facto de entrar na sala com a esperança que esta obra seja exatamente aquilo que dá a entender, e sair com um enorme sorriso estúpido na cara, é algo que raramente acontece e, quando ocorre, é um dos melhores sentimentos do mundo.
Batalha do Pacífico conta a história de uma batalha entre os monstros e robôs. De um lado estão os chamados Kaiju (“grande besta”, em japonês), que destroem várias cidades do planeta. Como resposta, o mundo uniu-se para a criação de Jaegers (“caçador”, em alemão), uns robôs gigantes que necessitam de dois ou mais pilotos, conetados por uma ligação neural e capazes de enfrentar estas ameaças.
O filme foca-se em Raleigh Becket (Charlie Hunnam), um veterano no controlo de Gipsy Danger, juntamente com o seu irmão, Yancy (Diego Klattenhoff), que mais tarde é morto por um Kaiju enquanto estava ligado a ele, traumatizando-o profundamente.
Passado uns anos, enquanto a ameaça aumenta, o manda-chuva Stacker Pentecost (Idris Elba) é forçado a trazer Raleigh de volta para fazer parte dum plano para destruir o local onde os Kaiju se originam. Aqui ele conhece Mako Mori (Rinko Kikuchi), uma combatente pronta a servir num Jaeger para vingar a morte da sua família.
É importante referir que existe aqui uma enorme homenagem a uma variedade de géneros de cinema, como filmes de série B, de monstros asiáticos e anime japonês – onde séries como Evangelion e Gundam são fontes de uma grande influência. Todos os elementos essenciais de cada género estão presentes, de uma forma que torna o filme estupidamente divertido.
Grande parte das personagens estão bem conseguidas, sobretudo a evolução de Mako e do seu sonho de cumprir o seu dever num Jaeger. À parte de Idris Elba, que aqui cumpre bem o papel do mais forte da sala, outras personagens que se destacam são a dupla Dr. Newton Geiszler (Charlie Day) e Dr. Hermann Gottlieb (Burn Gorman), que são o comic relief de serviço. A menção honrosa vai para Hannibal Chau (Ron Perlman), que rouba o espetáculo com a sua personalidade única.
Ver o filme no IMAX 3D, neste caso em particular, acrescenta ainda mais à grande experiência que o filme se revela. Aqui pode-se aproveitar ainda mais a obra, sobretudo nas longas e algo intensas cenas de lutas, onde nos sentimos que estamos mesmo perante um Kaiju e um Jaegar. A experiência revela-se bastante incrível, por vezes.
Já nos problemas, Batalha do Pacífico fracassa em não conseguir dar mais profundidade às personagens pois, afinal, nem tudo pode ser monstros e robôs. Ainda assim, Guillermo Del Toro regressa com o poder de conseguir realizar um filme que, embora longe de ser perfeito, é uma boa aposta para um blockbuster de verão que não seja uma sequela ou de super-heróis – e com todos os ingredientes fundamentais para valer o preço do bilhete.
Será muito pedir um confronto com Godzilla?
O Melhor: Ser o filme que um fã do género deseje.
O Pior: Algumas cenas de luta se estenderem um pouco. As personagens poderiam ser mais aprofundadas.

Ricardo Du Toit

