«At Any Price» (A Qualquer Preço) por Nuno Miguel Pereira

(Fotos: Divulgação)

Quando a premissa do filme envolve uma família de comerciantes de sementes transgénicas em época de crise, um Dennis Quaid a fazer de campónio e um Zac Efron com a sua habitual expressão de intensidade (a roçar a obstipação), é inevitável as reservas em relação à obra. No entanto, e apesar de não ser perfeito, este é um filme que surpreendeu em toda a linha.

A história trata da família Whipple, composta pelo pai Henry (Dennis), o filho Dean (Zac) e a mãe Irene (Kim Dickens). Numa época de crise, eles lutam para manter a hegemonia e os clientes da sua zona. Enquanto isso, Henry vive tempos complicados na relação com o seu filho Dean, refugiando-se na sua amante, interpretada pela Heather Graham. Já Dean, vive a sua paixão pelos carros e sonha correr na Nascar. Isto tudo na primeira parte. A primeira metade é, aliás, mais uma tentativa de introduzir várias histórias, sem desenvolver nenhuma em particular. Entramos num ritmo algo lento, onde não se percebe a direção do filme.

De repente, tudo muda e começa-se a perceber o título do filme. Ramin Bahrani tem a capacidade de surpreender no rumo que deu à narrativa, principalmente quando centra a história nas dinâmicas entre Dean, Henry e Irene. Depois há um “twist” enorme dos acontecimentos, de deixar até o mais cético, surpreendido. O último terço é brilhante e só peca por tardio.
Quanto às interpretações. As reticências em relação à personagem de Dennis Quaid viraram reconhecimento ao seu esforço. Ainda que em momentos exagere um pouco nos maneirismos da sua personagem, no geral foi bastante competente, sendo das suas melhores interpretações nos últimos anos.

Já Zac Efron, há que aplaudir o esforço de se tentar afastar das habituais personagens infantis. Por outro lado, ainda que a sua cara de intensidade e de dor resultem, tudo se esmorece quando tem de abrir a boca para falar. Fica o esforço e algumas partes em que acaba por cumprir o que se lhe pede.

Menção honrosa para Kim Dickens.. A sua personagem tem uma evolução no filme que a faz passar de personagem amorfa e submissa a cola que une aquela família. Atuando na sombra de Zac e Dennis, é ela que rouba as luzes do holofote quando, mais para o fim, aparece com maior intensidade.

O melhor: O último terço do filme. A dinâmica das relações humanas exploradas.
O pior: A primeira metade do filme estende-se demais. O filme poderia ter começado a surpreender mais cedo


Nuno Miguel Pereira

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