«Special Forces» (Forças Especiais) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Forças Especiais é a prova que nem só o cinema americano consegue produzir showreels militaristas com objetivos comerciais, moralidades distorcidas e clichés diversos para manipular o espectador a entrar num melodroma panfletista. Tudo em nome do entretenimento, dirão os produtores e envolvidos, que demonstram que o cinema chorão que se desejava extinto ainda é uma arma para “educar-nos”.

Recorrendo a artifícios tão vistos nos anos 80 no cinema americano pós vietname, onde eram comuns os regressos ao campo de batalha à procura dos desaparecidos em combate, o argumentista, produtor e realizador Stephane Rybojad trás até nós uma história contemporânea em que uma jornalista (Diane Kruger) é sequestrada e levada para um cativeiro forçado numa região tribal no Paquistão. A partir desta base partimos para uma operação militar executada por um grupo de militares francês habituados a lidar com o mal do mundo – como a sequência inicial no Kosovo assim o demonstra. Paralelamente à ação entediante que Rybojad nos dá (a fita parece mais um videojogo que cinema) surge também a faceta humana destes militares, as suas relações familiares (os soldados também têm família, como se não soubéssemos) e o movimento dos peões políticos neste imbróglio.

Porém, que não se pense que o estudo das personagens é profundo e que nos permite entrar bem dentro das suas personalidades. Em vez disso, o realizador e argumentista prefere recorrer a lugar comuns, caindo especialmente no ridículo quando aborda o vilão de serviço, um homem educado no ocidente mas que abraça a causa talibã.

No todo, é assim um sofrimento assistir a estas Forças Especiais, sendo as sequências de ação com cortes rápidos e fast forward constantes invariavelmente amorfas e previsiveis: as cenas começam em toda a força com o recurso a música hard rock/metal e culminam com a queda dos bravos ao som de temas”épicos” na linha Gladiador – procurando assim levar o espectador a cair na lágrima fácil.

E se os atores até eram conhecidos (Djimon Hounsou, Benoît Magimel, Tchéky Karyo) – o que poderia ser uma mais valia – a verdade é que não têm qualquer espaço de manobra, sendo meramente figuras de papelão entregues a lugares tão vistos (e revistos) que nenhum deles se solta do piloto automático.

A evitar a qualquer custo.

O Melhor: Algumas pitadas de humor
O Pior: Quase tudo


Jorge Pereira

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