«Flypaper» (Amor à Prova de Roubo) por Nuno Miguel Pereira

(Fotos: Divulgação)

Tudo começa quando dois gangues decidem assaltar um banco à hora de fecho. Dois sulistas desconchavados e com uma amizade que roça a homossexualidade e um grupo de 4 criminosos de alto gabarito. No meio dessa confusão está o infortunado Tripp (Patrick Dempsey) e a funcionária do banco Kaitlin (Ashley Judd). Ao percorremos o filme, vemos estes dois personagens a tentar encontrar uma maneira de fugir a estes assaltantes e ao mesmo tempo tentar desvendar as situações bizarras que vão sucedendo. Pois bem, uma pitada de clichés, umas personagens estereotipadas com um sotaque engraçado, uns tiros e temos um filme de domingo à tarde.

No entanto, há que ressalvar a tentativa de Depmsey de fugir ao rótulo que vem construindo nos últimos anos. Aqui, apesar das limitações inerentes do filme, a sua personagem foge ao estilo herói “bonitão” e perfeito, desempenhando antes um neurótico maníaco-compulsivo instável. Certo é que estas características duram pouco e no final voltamos a Dempsey em modo automático, mais por culpa do argumento do que dele.

Quanto a Ashley Judd, é muito mal aproveitada. Desde o primeiro segundo que se percebe que o papel dela é de “side kick”/ par romântico de Dempsey, acabando por ser mais um adereço, do que alguém preponderante.

Tenho de dar um mini louvor às únicas personagens que a espaços me roubam a atenção. São eles os pacóvios sulistas e desastrados ladrões de banco, Peanut Butter (Tim Blake Nelson) e Jelly (Pruitt Taylor Vince). Ainda que não me arranquem grandes sorrisos, sempre vão entretendo com as suas personagens hiperbolizadas com maneirismos típicos.
De resto, ainda que seja um bom elenco, os restantes actores fazem quase só figuração.

O final é previsível e tosco (esta mania de pôr pseudo plot twists que são esperados desde os primeiros 5 minutos é exasperante).

Há que acrescentar, por fim, que estando este filme catalogado como comédia, teria sido engraçado se provocasse risos.

O melhor: O McDreamy Dempsey ter tentado fazer algo diferente, a Ashley Judd estar a envelhecer bem e o par de ladrões desastrados.

O pior: Sendo uma comédia, as únicas vezes que me ri foi quando me lembrei de piadas que me tinham contado há duas semanas atrás. A personagem da Ashley foi muito mal aproveitada, problema transversal a todo o elenco (menos ao Dempsey).


Nuno Miguel Pereira

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