É, por todos os motivos, compreensível a vontade de Sofia Coppola (da autora de Marie Antoinette e Somewhere) em fazer uma abordagem ao exercício da ‘celebrity culture‘. Algo que tem até uma repercussão próxima da sua vida e carreira.
Infelizmente, menos eficaz é o resultado. Só ela saberá a razão pela qual optou por uma mera descrição episódica do conteúdo do artigo publicado na Vanity Fair, sobre os adolescentes condenados por assaltarem casas de socialites como Paris Hilton, Orlando Bloom e outros, com um recheio da ordem dos milhões de dólares. E a parte mais interessante é mesmo o final, onde a reação mediática em redor destes assaltos é encarada pelos seus autores, adolescentes banais, entretanto apelidados de The Bling Ring, que aproveitaram o descuido das vedetas deixarem as portas das mansões abertas, para se infiltrarem e passarem a fazer um programa noturno com estas investidas.
O cast é puramente banal, embora acertado para descrever o lado unidimensional destas criaturas. Emma Watson, a Hermione Granger de Harry Potter, é mesmo o único nome relevante. Tal como é banal o exercício de um cinema preguiçoso que parece passar ao lado de um filme mais aceitável.
Será por isso que foi relegado para a secção Un Certain Regard em Cannes?

Paulo Portugal

