«The Strange Little Cat» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Pequena pérola com pouco mais de uma hora assinada por Ramon Zürcher, um realizador suiço radicado na Alemanha que concebeu o projeto num seminário liderado pelo consagrado Béla Tarr. Porém, há mais de Jacques Tati aqui do que do cineasta húngaro.

Recorrendo ao minimalismo da localização, pois afinal de contas quase toda a acção decorre num apartamento, seguimos os preparativos para uma refeição de uma família de classe média alemã que alberga pelo menos três gerações (não esquecendo um cão, um gato e uma borboleta). Normalmente estes grandes eventos e reuniões familiares ocorrem em espaços campestres e largos, mas Zürcher preferiu confluir num espaço muito limitado uma série de personagens, cada uma com os seus problemas e manias, mas todos transpirando alguma sensação de abandono e desleixo, em especial as três gerações de mulheres: a avó (sempre afastada ou a dormir), a mãe (cuja expressividade e ações demonstram que algo não está bem) e a filha mais nova (com deficit de atenção e precisando gritar sempre que algum engenho esteja a trabalhar na cozinha).

E apesar do filme por vezes parecer buscar nas sitcoms televisivas algumas das suas influências, Zürcher dá ao filme um arranjo longe dessas regras, acentuando na dança (movimento) das personagens e numa peculiar atenção ao pormenor, sempre trabalhando cada plano de forma a captar pequenos episódios e excentricidades que fazem parte da vida de cada um.

No todo, este é assim um filme muito curioso, ainda que se sinta – e bem – a sua ausência real de história e alguma falta de arrojo emocional (ou excesso de timidez) para ir mais longe…

O Melhor: A mãe (Jenny Schily)
O Pior: A falta de uma história limita o filme (até na sua duração)


Jorge Pereira
Crítica originalmente vista em abril de 2013

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