“Eagle Eye” por André Reis

(Fotos: Divulgação)

Após o quarto capítulo da saga Indiana Jones, Shia LeBeouf volta aos ecrãs nacionais pela mão de D.J Caruso que já o tinha dirigido no filme de 2007, “Disturbia”.

Jerry Shaw (Shia Leboeuf) é um daqueles jovens sem verdadeira identidade e ambição. Vivendo num canto perdido dos Estados-Unidos, trabalhando num centro de cópias e enfrentando dificuldades financeiras, Jerry é mais um fantasma sem raízes. Um dia, ao receber a notícia do que o irmão gémeo faleceu num acidente de viação vê-se obrigado a regressar a casa. Confrontando o pai, que sempre apoiou o irmão (bem sucedido na vida, com um cargo militar), Jerry regressa a casa com um cheque de mil dólares. Quando o tenta depositar, repara que tem mais de meio-milhão na conta e mais tarde, recebe um telefonema de uma voz desconhecida que passa a dar-lhe ordens.

Noutra cidade, Rachel Hollman (Michelle Monaghan) recebe um telefonema da mesma voz misteriosa. É informada de que o filho está sobre vigilância e que será morto caso ela não cumpra as ordens dadas…

Durante os primeiros quinze minutos, “Eagle Eye” consegue manter um tom dramático verosímil. Seguimos a vida triste de Jerry e as suas dificuldades. Passamos para os problemas de Rachel que cria o filho sozinha. E, basicamente, acaba aqui a parte coerente da história.

“Eagle-eye” tenta fazer tudo à grande mas sabe à partida que não o vai conseguir, sobretudo por causa de um argumento com tendência a piorar de qualidade à medida que os tempo vai passando.

É difícil falar do argumento sem revelar as (supostas) surpresas que ele esconde. O filme é, por vezes, uma mistura incompreensível de planos rápidos com cortes ainda mais rápidos. Tudo filmado em grande plano para que o espectador perceba que aconteceu ali algo, mas sem perceber o quê.

Com isto dito, revela-se outra grande fraqueza do filme: a realização. D.J Caruso tenta provocar ansiedade e espalhar a paranóia mas, devido a uma montagem desastrada (sobretudo nas cenas de acção) e algumas escolhas menos felizes na planificação, o filme, que já perde com o argumento, dificilmente sobrevive à realização . Junte-se a isto o facto de o filme não consegue fugir a vários estereótipos como a fotografia fria e pouco iluminada à noite (o que complica ainda mais a percepção das cenas de acção) e um uso demasiado pronunciado de câmaras de segurança que acabam por retirar ainda mais a sensação de observação constante ao invés de a acentuar.

Relativamente ao elenco, foi com prazer que vi Rosario Dawson apesar de num daqueles papéis menores e sem sabor. De resto, nos papéis principais, Shia LeBoeuf parece ter ganho maturidade, embora pareça ter sempre 17 anos e Michelle Monaghan está fiel à ela própria ou seja, sem qualquer relevo especial. Para terminar, uma menção para Billy Bob Thornton que, com o seu ar desleixado e pouco empolgado, até consegue imprimir um certo estilo à sua personagem.

Em jeito de conclusão, “Eagle-Eye” é o típico filme de acção feito em série. Tem todos os ingredientes, um trailer intrigante e um elenco de caras conhecidas.

Infelizmente, é demasiado longo para o que quer contar. Sofre de uma realização pouco explicita que acaba por minimizar o impacto das cenas de acção e de um argumento que começa de forma interessante para terminar num poço de clichés. Recomenda-se apenas se procura um filme mexido e tem um grande interesse por conspirações governamentais.

 

4/10

 

André Reis

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