“Max Payne” por André Reis

(Fotos: Divulgação)

Baseado no Best Seller para PC e consolas da Remedy Entertainment, Max Payne, o filme, é uma obra tão distante do jogo que quase perde o estatuto de adaptação.

Max Payne é um polícia Nova-Iorquino que passou de detective respeitado, a mero funcionário dos arquivos policiais (Cold Cases). A razão para tal foi o facto de a sua família ter sido assassinada por um bando de junkies uns anos atrás. Sem futuro, Max Payne vive os dias à procura dos que lhe tiraram tudo, perseguindo os adeptos de uma nova droga que parece levar as pessoas ao suicido após enfrentarem um anjo da morte que parece viver nas suas mentes.

Quando surgiu a noticia da adaptação, os fãs do jogo sentiram um misto de medo e ansiedade. As razões para isso eram muitas. No mundo dos videojogos, Max Payne é um franchise seguro com mais de 7 milhões de cópias vendidas (segundo a wikipédia) e foi um dos jogos mais aclamados do ano na sua estreia.

O que tornava o jogo numa referência, era a mistura equilibrada entre ambiente, história e gameplay. O jogador tinha a possibilidade de encarnar Max na sua busca de vingança, fazendo uso de dezenas de armas, disparando em câmara lenta e descobrindo elementos cruciais da história ao ler as pouco usuais cut-scenes em forma de novela gráfica.

O estilo, inspirado no cinema negro, fundia-se às mil maravilhas com as cenas de tiroteio à la John Woo e era com entusiasmo que os jogadores enfrentavam bandos de junkies fosse no metro ou em plenas ruas de Nova-Iorque.

Infelizmente, com a passagem para película, quase tudo se perdeu. John Moore (Flight of the Phoenix, 2004) ficou responsável pela adaptação. Se, de um ponto de vista técnico, Max Payne satisfaz, no plano visual o resto está longe do mundo sombrio e violento do jogo.

A culpa vem sobretudo de um argumento sem interesse (que apenas guarda o núcleo central da história ou seja, o assassinato da família), que se arrasta sobre 100 min sem verdadeiro objectivo muito por culpa de uma estrutura narrativa catastrófica que limita a identificação com Max e lhe retira qualquer dimensão psicológica.

Basicamente, Mark Wahlberg é um boneco sem expressão que passeia pelas ruas, conhece raparigas bonitas (por exemplo, Olga Kurylenko, a nova Bond girl) e enfrenta um vilão tão carismático quanto um playmobile (péssima escolha este Amaury Nolasco (Fernando Sucre na série “Prison Break”).

Depois, vem o suposto elemento característico do jogo, os tiroteios que se contam pelos dedos de uma mão e não têm ritmo nem qualquer adrenalina. As sequências em câmara lenta são usadas sem nexo para além de não acrescentarem nada às cenas em si.

“Max Payne”, o filme, torna-se então numa versão edulcorada de um jogo violento, negro e ritmado.

O filme, encontra a sua salvação na mente do espectador não familiarizado com o videojogo. Visto assim, o filme parece-se mais com uma adaptação de novela gráfica próxima de “Sin City” ou do “The Crow”. A história, essa, continua sem qualquer qualidade, tornando-se num mero fio condutor para um conjunto de imagem (por vezes esteticamente muito interessantes) alinhadas umas após as outras onde a personagem de Max Payne se perde sem saber ao certo o que procura.

Conclusão: Max Payne, o filme, é uma adaptação falhada e sem identidade própria. A comparação com Sin City é inevitável já que os elementos chaves do jogo foram pura e simplesmente eliminados. Em seu favor, restam uma realização próxima das esteticamente interessante e uma banda sonora que ainda consegue criar um ambiente minimamente negro e digno de um policial.

Os fãs do jogo ficarão desiludidos. Os outros, poderão encontrar um filme minimamente apelativo.

 
4/10
André Reis

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