“Burn After Reading” por André Reis

(Fotos: Divulgação)

 

Após o sucesso crítico que foi “No Country For old Men” (2007), os irmãos Cohen regressam com uma comédia menor que tem como grande trunfo o elenco mas que nunca consegue atingir a qualidade de um “Big Lebowski”.

 

Por mero acaso, um disco contendo as memórias e segredos de estado de um ex-agente da CIA, Osbourne Cox, (John Malkovich) cai nas mãos de uns empregados de ginásio. Com o disco em seu poder, Chad (Brad Pitt) e Linda (Frances McDormand) procuram chantagear Cox de forma a extorquir-lhe dinheiro que servirá para pagar operações plásticas. Entretanto, a mulher de Cox, Katie (Tilda Swinton), vive uma aventura com Harry (George Clonney), um mulherengo viciado em sexo. Consciente do problema que podem representar as memórias de Cox, a CIA mantém-se atenta ao grupinho… Ou não…

Terceiro filme dos Cohen com Clooney, “Burn After Reading” parece concluir o ciclo sobre a estupidez Humana iniciada com o actor em “O’Brother, Where Art Thou?” (2000).

A história do filme é bastante simples mas sabe-se manter interessante devido à relação das personagens e às interpretações de qualidade.

Brad Pitt é um novato no mundo dos Cohen e é a personagem mais interessante do filme. Consegue surpreender pela forma como o actor “quebra” a sua imagem e não tem medo do ridículo. O seu amigo Clooney, mantém a qualidade que todos lhe conhecem mas não deixa de ser igual si mesmo.

O resto do elenco é consistente, com Frances McDormand a criar uma personagem lunática mas contida e sempre agradável de ver ou ainda J.K Simmons num pequeno mas, excelente papel como director da CIA.

O ponto negativo no meio dos actores será certamente John Malkovich que raramente parece verosímil e não conecta com a personagem de Tilda Swinton, perdendo-se algures entre a interpretação teatral e as suas personagens de Francês da Alta Sociedade.

Relativamente aos Cohen, este filme afasta-se da comédia mais física (como no caso do “Big Lebowski”) para se concentrar na comédia oral.

Na parte técnica, o filme tem semelhanças com o anterior o que não é vantajoso em certas situações. Sofre de um classicismo que o impede, por vezes, de se tornar numa obra mais dinâmica e menos contida.

Ficamos com a sensação que o filme foi feito com demasiada pressa e que não se soube “espremer” as situações caricatas que o argumento esboçou. Assim, a personagem de Clooney e o seu vício por sexo é somente subentendido para realmente se tornar numa características, o que nos deixa apenas com uma cena memorável mas anedótica.

À personagem de Brad Pitt, apesar de interessante e divertida, falta-lhe um verdadeiro motivo para as suas situações o que leva a acreditar que não passa de um cretino sem verdadeira ambição ou objectivo.

Com estas falhas, Frances McDormand acaba por sair vencedora já que a sua personagem ganha em dimensão e é realmente a única a ter um final coerente. No que toca a outros aspectos técnicos, o filme não se destaca por qualquer originalidade tanto a nível visual, como a nível musical. É sempre demasiado rotineiro e pouco ambicioso.

Este “Burn After Reading” não ficará certamente na memória dos espectadores. Após terem trabalhado num projecto diferente (No Country For Old Men), os Cohen investiram num argumento interessante mas que perde impacto na tela. Não é um mau filme mas é pouco trabalhado para ser recordado.

Para colocar junto de “Intolerable Cruelty” ou do mais recente “The Ladykillers”.

 
 
5/10

 

André Reis

Últimas