
Sessenta e cinco anos depois do explorador norueguês Thor Heyerdahl ter seguido da América do Sul até à Polinésia numa viagem que todos consideravam impossível, Kon-Tiki – a embarcação (uma balsa) – voltar a brilhar através de um filme de ficção. Isto depois de em 1951 um documentário norueguês sobre o assunto ter ganho o único Óscar até hoje conquistado pela Noruega.
Curiosamente, Kon-Tiki – o filme – poderia ter repetido a façanha, especialmente porque – para além de ser um verdadeiro crowd pleaser – está bem construído e engendrado dentro daquele tipo de cinema que se foca em indivíduos cuja perseverança e idealismo ultrapassam todas as barreiras, conseguindo assim triunfar contra todas as expetativas (o islandês The Deep é da mesma linhagem). A América adora estas histórias e o resto do mundo também.
Desenvolvendo-se entre o drama de marinheiros nos limites e a aventura do desconhecido em alto mar, Espen Sandberg e Joachim Rønning, os realizadores (que foram responsáveis por filmes como «Max Manus» [ler crítica]), criam entre os espectador e a obra uma dinâmica de permanente interesse, não só pelos diálogos fluídos mas também pelos inúmeros eventos que ocupam grande parte da viagem pelo oceano pacífico. Para isso contam com a ajuda da beleza das imagens (há uma sequência com medusas deslumbrante) e alguns eventos extremos (tempestades, ataques de tubarões) que criam tensão e mistério no desenlace (para quem não conhece a história), para além de atores competentes que preenchem personagens superficiais (talvez a única excepção seja Heyerdahl), mas que nos cativam no seu quotidiano de pioneiros de uma viagem por caminhos desconhecidos.
Por tudo isto, Kon-Tiki vale a pena, mas em nenhum momento o filme arrisca o suficiente para se imortalizar na nossa mente ou ultrapassar o mero estatuto de entretenimento momentâneo. A ver…
O Melhor: Entretém e agarra o espectador
O Pior: Joga demasiado pelo seguro
| Jorge Pereira |

