Festival Ler: «On The Road» (Pela Estrada Fora) por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

Segundo declarações do próprio Walter Salles ao Festival Ler, o realizador demorou sete anos a levar esta adaptação do livro de Jack Kerouac ao grande ecrã, indeciso sobre como filmar a obra, e pensando até filmar um documentário sobre o “making of“, tentando localizar as personagens que ainda estariam vivos. A verdade é que “Pela Estrada Fora” chega numa versão final que parece ainda assim incompleta – ou melhor, sem o aparato devido, sem causar aquele fogo de viver que o autor tanto descreve.

No papel, tudo pareceria perfeito, tenho a certeza. Salles afinal realizou “Diários de Motocicleta”, outro “road movie“, e passar de Che Guevara a um dos bastiões da geração “beat” parecia uma transição sem quaisquer solavancos. Mas é precisamente um caminho cheio de solavancos o que temos aqui. Em formato filme, as palavras diluem-se, e a narrativa anda às voltas em estruturas episódicas que em livro seriam bem mais interessantes. 

Há ainda assim aqui prazeres mais que suficientes para “Pela Estrada Fora” merecer uma recomendação marginal e não urgente. Primeiro a força de muito do seu elenco, a começar por Sam Riley e Garrett Hedlund, e com um lote de secundários VIP que inclui Amy Adams, Viggo Mortensen e Steve Buscemi. (Quanto a Kristen Stewart, é aqui capaz do melhor e do pior, sendo o melhor espelho do filme; ainda não é desta que se livra do rótulo “Twilight“, mas nos melhores momentos relembra-nos que merece ter a profissão que tem). Em segundo lugar, o aspeto visual: estamos perante um dos filmes mais belos da temporada, onde a simples passagem das estações se faz sentir nas cadeiras. E por último, nem que seja pela vontade que nos dá de ir à obra de Kerouac pela primeira ou enésima vez. 

O Melhor: A cinematografia de Eric Gautier e 90% das performances. 
O Pior: Sentirmos que podia ter sido muito mais. 
 
 
 André Gonçalves
 

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