Realizado por Scarlett Johansson na sua estreia na realização, a partir de um argumento de Tory Kamen, Eleanor The Great (A Grande Eleanor) veste-se com traje de gala para dar os holofotes à nonagenária June Squibb, de 95 anos, que já tinha ganho uma segunda vida no cinema após a nomeação para o Óscar de Melhor Atriz Secundária por Nebraska (2013), de Alexander Payne.
Mas, para lá da interpretação honesta e eficaz da atriz — que deverá andar na rota dos Óscares e certamente na dos Globos de Ouro — bem acompanhada por Erin Kellyman, no papel de uma aspirante a jornalista, o filme pouco mais tem para oferecer além de ambições de crowd pleaser envergonhado, colocando o processo doloroso do luto no epicentro dos terramotos emocionais a que assistimos. É esse luto que une Eleanor (June Squibb) e Nina (Erin Kellyman): a primeira fustigada pela dor de perder uma amiga (sobrevivente do Holocausto) e companheira de casa na última década; a segunda, pela morte da mãe, ocorrida há seis meses.
O caminho que liga as duas nasce de uma mentira de Eleanor que, envergonhada por ter entrado num grupo de apoio errado — num compromisso arranjado pela filha — permanece e cria a ilusão de ser uma sobrevivente do Holocausto. Na verdade, não mente ao relatar o drama vivido durante a II Guerra Mundial, mas mente ao afirmar que foi ela quem o viveu, apropriando-se das histórias da amiga falecida, essa sim sobrevivente da tragédia, e partilhando-as com o grupo. Isso chama a atenção de Nina, estudante de jornalismo e filha de um apresentador de televisão famoso, que se entusiasma com a história de Eleanor e pretende fazer uma reportagem de fundo sobre o tema. Embora reticente em prolongar a mentira, Eleanor deixa a situação fluir, nascendo entre as duas uma amizade marcada pela partilha do luto pelas perdas recentes.
Filmado muitas vezes como um objeto televisivo — ainda que de luxo — Eleanor The Great arranca bem, mas nunca se afirma para lá de um melodrama banal num terceiro ato que, de forma forçada, quer agradar a gregos e troianos. Cabe assim a June Squibb concentrar toda a atenção e elevação do filme, seja na luz e traquinice desbocada que fazem parte do seu quotidiano, seja nas sombras em que se afunda para preencher um vazio emocional.
Quanto a Scarlett Johansson, há arrojo em quem tem uma carreira estabelecida como atriz, entre o mainstream e o cinema de autor, e se expõe à crítica da criação. Mas esta primeira experiência mostra que esse arrojo teria de ser levado até ao fim, porque tentar agradar a todos acaba por produzir apenas o vulgar e o impessoal.
Crítica originalmente escrita em maio de 2025




















