A crise dos refugiados é um dos dilemas mais urgentes e complexos do nosso tempo, refletindo não apenas a tragédia humanitária dos milhões de pessoas que fogem de conflitos, perseguições ou desastres naturais, mas também a incapacidade global de lidar com essa situação de forma eficaz e compassiva.
“Um Dia Feliz” (A Happy Day, 2023), do realizado norueguês Hisham Zaman, é um filme que brilha ao retratar o caminho emocional de três amigos adolescentes, presos num campo de refugiados no norte gelado da Noruega, de onde planeiam fugir.
O filme merece destaque pela bela fotografia, onde os lindíssimos campos nevados a perder de vista arrebatam o olhar. A banda sonora, embora discreta, complementa perfeitamente as emoções e a atmosfera do filme. Há igualmente uma enorme sensibilidade ao abordar temas como pertença, identidade e busca por uma vida melhor.
É um filme que teria tudo para ser excecional, mas… não é. Os personagens, tanto principais como secundários, estão pobremente caracterizados, o que imprime uma onda de superficialidade do início ao fim da película. Este é um fator que contribui para um retrato pouco credível da vida dos refugiados num campo de acolhimento temporário e, de certo modo, pode até ser considerado, por muitos que vivem ou viveram esta situação, um filme de mau gosto. Falta complexidade, profundidade e autenticidade na narrativa.
As histórias de amor adolescente conseguem dar uma tónica cómica e tornam o filme mais cativante, mas, mesmo estas histórias, que teriam potencial para serem exploradas com profundidade, ficam presas a um mundo de clichés.
O filme vale, sobretudo, pelas mensagens poderosas de esperança e resiliência, que são um alerta ao mundo para que tenhamos um olhar e uma ação mais humana para quem mais precisa de ajuda.





















