Com a produção executiva de Hou Hsiao-hsien e da própria realizadora, Huang Xi, “Daughter’s Daughter” segue dilemas contemporâneos a partir de uma das reflexões mais comuns e antigas, perpetuadas na literatura e posteriormente no cinema: o conflito de ideias e pensamentos de diferentes gerações, na figura do tridente avó-mãe-filha, todas elas com modos de vida e formas de pensar moldadas à época em que vivem e as pressões sociais que aí habitavam.
Entre Taipé e os EUA, o texto do guião e o exercício da montagem são os elementos que mais se destacam na linguagem cinemática que Huang Xi encontra para, a partir da história de uma mãe, Jin Aixia (ou “Ai”), que é abalada pela morte da filha, Zuer (Eugenie Liu), e da namorada desta, Zhou Jia-ji (Tracy Chou), as quais estavam num processo de tratamentos de fertilização in vitro, perseguir o rasto da vida de três gerações de mulheres, todas elas pressionadas por convenções sociais e culturais no seu tempo.
Jin é o elemento-chave desta “novela”, já que entregue à tragédia da morte da filha e o dilema de lidar com o embrião que esta lhe deixou, tem de lidar com frequentes arrependimentos em relação ao passado, não apenas na forma conflituosa como sempre lidou com Zuer, mas também porque irá enfrentar Emma (Karena Lam), uma outra filha que deu para adoção quando tinha 17 anos.
Movendo-se constantemente por terrenos do melodrama, num jeito de constante desconstrução da personagem de Jin, em função do seu percurso de vida e da sua relação com os outros, onde desejos pessoais colidiram frequentemente com imposições sociais, “Daughter’s Daughter” vai ganhando força cinemática à medida que vai avançando, corrigindo alguma austeridade de procedimentos e das locações, que no início do filme o colocavam no terreno do telefilme. Será em Nova Iorque, e numa viagem exterior pelo terreno, que também é uma viagem a memórias e à condição da existência de Jin, que Huang Xi se consegue soltar plasticamente, embora permaneça na mesa de montagem e na sala de escrita do guião o maior interesse que o filme tem, além da interpretação segura de Sylvia Chang, que sustenta as mazelas da vida de Jin, entre passado-presente-futuro, com todo o seu ferramental dramático.





















