Apesar de ser mais conhecido por ficções como “Germania” (2012) e “Jesús López” (2021), o argentino Maximiliano Schonfeld tem apostado igualmente em registos documentais, e depois de “La siesta del tigre” (2016) regressa ao grande ecrã com “Luminum”, que teve a sua estreia mundial no Visions du Réel.

O centro da atenção da lente do cineasta são mãe e filha, Silvia e Andrea, figuras muito próximas, verdadeiras comparsas, que partilham interesse pela ufologia, multiplicando pesquisas e observações de luzes não identificadas nas imediações do rio Paraná. E elas são também “especialistas” chamadas para irem à  televisão falar de temáticas como umas estranhas mutilações de gado que vão ocorrendo frequentemente no seu país, chegando à conclusão que pela destreza dessas mesmas mutilações, os humanos não podiam estar envolvidos. 

Quem viu o recente “Espírito Sagrado” de Chema Garcia Ibarra vai sentir-se em casa em termos de tom e atmosfera, com Maximiliano Schonfeld a conseguir fluir ciência com ficção, seriedade e humor, amizade, amor e relações familiares. E o retrato vai além das duas figuras observadas, dois “objetos” perfeitamente identificados na coerência de ideias e paixões, mas toda uma comunidade que tenta decifrar o que a ciência “normal” não consegue.

Misturando interações filmadas pelo próprio cineasta, e trabalhadas visualmente de forma impactante, com imagens de arquivo, “Luminum” é um trabalho que absorve o espectador, escapando da estilização esotérica e surreal, mas focando a sua atenção nos afectos, paixões e interesses que vão bem além laços de sangue.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
luminum-do-outro-mundo“Luminum” é um trabalho que absorve o espectador, escapando da estilização esotérica com frequentes elementos surreais, que se tornaram clichê