Sete anos depois de assinar o argumento de “Carol”, Phyllis Nagy regressa ao cinema na cadeira de realização com “Call Jane”, que também escreveu, contando com Elizabeth Banks num dos seus melhores papéis.
Um “crowd pleaser” assumido, mas nunca procurando cegamente o entretenimento a qualquer custo, ou vender qualquer mensagem política reduzida a arquétipos, esta “dramédia” com um fundo histórico leva-nos aos conservadores anos 60, nos EUA, e ao surgimento das “rebeldias hippies”, das ideias feministas e da luta pelos direitos civis, para nos contar a história de Joy, uma mulher que engravida mas cujo feto põe em risco a sua vida. Decidida a abortar, para – digamos – evitar qualquer hipótese de morrer, Joy vê a sua pretensão impedida pelo conselho diretivo do hospital, o qual se baseia no espírito da época que compreendia o aborto, em qualquer circunstância, como um homicídio.
De classe média, casada com um advogado que diz compreendê-la e que a incita a participar em cursos (desde que não tenha de comer refeições rápidas muitas vezes), Joy encontra por acaso nas ruas longe do seu habitat um anúncio sobre um movimento denominado ”Call Jane”, que promete ajudar mulher grávidas. É a partir desse anúncio que ela irá assumir um novo papel que vai muito além do que a sociedade da época e o patriarcado lhe permitiam abraçar
Fugindo sistematicamente dos clichés, embora aparente seguir na sua direção, e com boas prestações de Banks e Sigourney Weaver, “Call Jane” caminha frequentemente pela via do humor em piso dramático, sabendo a cineasta balancear bem os dois géneros e deixando algumas mensagens que sobrevivem até ao presente, não só em relação ao aborto, mas também sobre outras questões, como uma folha salarial para ambos os sexos.
De certa maneira, e numa outra paragem (EUA em vez do Reino Unido), “Call Jane” até nos remete para o recente “Mulheres ao Poder” (ou até “The Glorias“), mas ao contrário deste tem mais capacidades para sair dos lugares comuns e para assentar a sua mensagem em ideias e não apenas slogans. E por isso mesmo merece uma observação mais atenta.




















