Todas as palmas do mundo não cabem nesta crítica para a coragem e destreza no desempenho de Emma Thompson neste “Good Luck to You, Leo Grande“, drama com toques de comédia que depois de chegar a Sundance apresenta-se na Berlinale, numa sessão especial fora de qualquer competição.
Atriz de créditos firmados, atualmente com 62 anos, Thompson encarna e despe-se (literalmente e metaforicamente) de preconceitos para dar o olhar sobre toda uma geração de mulheres que teve apenas um parceiro sexual durante a vida, através da sua personagem de Nancy Stokes, uma viúva sexualmente inexperiente que nunca teve um orgasmo e que contrata um jovem trabalhador da indústria do sexo (Daryl McCormack, repleto de charme e ternura) para uma noite de luxuria e aprendizagem.
Naturalmente, quando se conhecem, ambos estão em postos opostos na relação cliente e fornecedor de serviços, mas toda a estranheza do encontro, que inicialmente produz diversas gargalhadas, rapidamente se transforma num misto de terapia e conhecimento de uma nova vida e todas as ramificações que levaram cliente e prostituto até ali.
Filmado praticamente em apenas duas locações, um quarto de hotel onde se vão multiplicar os encontros, “Goodbye Leo Grande” sobrevive principalmente da troca de palavras e experiências (ou falta dela) das suas personagens durante toda a sua duração, com os dois atores carismaticamente a preencherem personagens ricas isoladamente e avassaladoras na sua interação e química.
E apesar deste ser um filme de interiores, que bem podia levar à forma de um telefilme, Sophie Hyde (“Animals”), a partir do argumento original de Katy Brand (“Katy Brand’s Big Ass Show”), consegue dinamicamente aplicar uma linguagem cinematográfica com um enorme know how na construção do ritmo e em manter o espectador agarrado à cadeira. Mas a grande força reside principalmente no guião, sublime no jogo entre carnalidade e reflexões de vida, fazendo deste o “A primeira noite” do século XXI sem nunca o verdadeiramente imitar. A não perder nos cinemas, ou nos teatros, pois a possibilidade de encenar o que vimos no filme é facilmente transportável para essa arte.




















