Sessões na Cinemateca – Escolhas de 13 a 18 e setembro

(Fotos: Divulgação)

Com o ciclo “Histórias de Objetos, Objetos nas Histórias” a Cinemateca procura refletir sobre o papel das coisas, dos objetos materiais, nas histórias do cinema. Muitas vezes os objetos são o centro e a força condutora quer de cenas quer de filmes inteiros, podendo um objeto conter todo mundo de um filme. Pode tratar-se de um objeto de contenda mas também de desejo, pode fazer avançar a intriga ou detê-la num impasse de difícil resolução. Pode ser como uma chave e abrir portas ou pode ser como uma chave e trancar portas que não mais se querem abertas. Abrindo ou fechando, adensando enigmas ou desvendando-os de modo retumbante, os objetos que aqui são homenageados são quase sujeitos, pelo que não podem ser encarados como meros adereços, porque efetivamente atuam no tecido dramático do filme de maneira tão decisiva quanto às vezes violenta. De tal maneira assim é que, com o passar do tempo, poderá apenas restar na nossa memória a imagem de determinada coisa que, ampliada e/ou repetida na ação, se eleva como sujeito, mesmo como protagonista.

Estas são as nossas sugestões para as sessões a decorrer na semana de 13 a 18 de setembro:

Le Million (O Milhão, 1931) – Segunda-feira, 13 de setembro, 21h30, Esplanada. Quando o som se impôs definitivamente ao cinema, à roda de 1930, René Clair não o recusou, como outros ilustres cineastas (Chaplin e Eisenstein, por exemplo), mas tentou encontrar uma síntese entre as conquistas da “arte muda” e o “teatro enlatado” que proliferou durante um certo tempo. Fez alguns filmes semi-falados, nos quais a música de fundo tem grande importância e substitui por vezes o diálogo. É o que se passa em Le Million, que conta a história de um homem em busca do casaco que vendera, em cujo bolso há um bilhete premiado de lotaria. O filme acaba com uma série de canções, sendo a música da autoria de Georges Van Parys, importante compositor do cinema francês.

Jalsaghar (O Salão de Música, 1959) – Quarta-feira, 15 de setembro, 21h30, Esplanada. Este é um dos filmes mais belos e célebres do grande mestre indiano Satyajit Ray, e foi também o filme através do qual toda uma geração de espectadores europeus o descobriu. Realizado com o habitual requinte de Ray nesta fase da sua obra, o filme conta a história de um aristocrata sem descendência, que desbarata a fortuna realizando sumptuosos espetáculos musicais. À beira da ruína, prepara uma derradeira soirée, destinada a ultrapassar em extravagância todas as anteriores. Uma das imagens mais inesquecíveis da história do cinema: a do deslumbrante candeeiro do salão de música refletido no copo do aristocrata caído em desgraça.

L’Argent (O Dinheiro, 1983) – Quinta-feira, 16 de setembro, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. L’Argent foi o último filme de Robert Bresson. A história é de uma nota de 500 francos, falsa, que vai passando de mão em mão, até que um dos possuidores, um jovem, é acusado de tráfico, perde o emprego, é forçado a participar num assalto e levado para a prisão e para uma trágica decisão final. “Onde está o dinheiro?” é uma frase final do filme, a que Bresson se referiu como “a ideia de uma propagação vertiginosa do Mal e o surgimento final do Bem”. Inspirada numa novela de Tolstoi, “Falso Cupom”, esta é uma obra-prima arrepiante.

Madame de… (1953) – Quinta-feira, 16 de setembro, 21h30, Esplanada. Esta obra-prima de Max Ophüls, que foi também o seu penúltimo filme, forma como que uma trilogia com duas outras obras do realizador sobre amores femininos fracassados, Liebelei (1933) e Letter From an Unknown Woman (1948), dos quais são retomadas algumas situações idênticas. Baseado num romance de Louise de Vilmorin e situado em fins do século XIX, o filme conta a história de um triângulo amoroso e de um par de brincos oferecidos pelo marido à mulher, que os vende para pagar dívidas e, mais tarde, os recebe de novo como prenda do amante, que de nada sabia.

Winchester ’73 (1950) – Sexta-feira, 17 de setembro, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. O primeiro filme de Anthony Mann com James Stewart, numa série de cruzamentos das várias mitologias do western (as guerras índias, as cidades turbulentas, as grandes cavalgadas, os duelos). A história é a da perseguição que, ao longo de todo o Oeste, Stewart move ao seu meio-irmão, McNally, assassino do pai, e da rivalidade entre vários grupos à volta de uma das armas mais cobiçadas: a Winchester 73. Destaque para Dan Duryea, um truculento e extrovertido vilão, que tem uma das mais notáveis mortes no cinema.

2001: A Space Odyssey (2001: Uma Odisseia no Espaço, 1968) – Sexta-feira, 17 de setembro, 21h30, Esplanada. Um dos filmes mais influentes do cinema moderno, que revolucionou a ficção científica em 1968, com os efeitos especiais de Douglas Trumbull. Mas é também uma reflexão sobre o destino do Homem, num futuro que requer outros saberes e capacidades. O gigantesco “totem” negro faz-nos aceder, como num ecrã, a um vasto universo de questões, dúvidas que este magnum opus de Stanley Kubrick levanta em confronto com a evolução técnica do Homem e o mistério sem fim do cosmos e de Deus.

Nota: Na sexta-feira, 17 de setembro, voltará a ser exibido L’Assassinat du Père Noël (Mataram o Pai Natal, 1942), pelas 15h30 na Sala M. Félix Ribeiro, filme sugerido pelo C7nema na semana passada.

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