And the Oscar goes to…(As previsões de Pedro Quedas)

(Fotos: Divulgação)
2010 foi um grande ano de cinema. De todos os nomeados para as várias categorias principais dos Óscares deste ano, não se encontra um único filme que não seja pelo menos bom. A concorrência é fortíssima a todos os níveis, com especial destaque para o elevado nível do trabalho dos actores no ano passado. Podemos mesmo dizer que quase não há escolhas erradas. Com isso em mente, aqui vão as minhas…

Filme

Ganha:  The King’s Speech
Devia Ganhar: The Social Network

“The Social Network” é o filme do ano. O melhor e o mais marcante. É um belíssimo conto de ambição humana e sede de protagonismo que cristaliza de forma quase perfeita esse desejo tão terreno de almejar a ser um deus. E, vamos ser sinceros, interessa muito pouco à questão que o pano de fundo seja a origem do Facebook. Isto é uma história clássica. Um filme genial, que vai ficar para a história. Mas não vai ganhar. Apesar do ‘buzz’ inicial (e os prémios dos críticos) apontarem para uma vitória desta (muito livre) ‘biopic’ de Mark Zuckerberg, o também muito bem mas talvez demasiado certinho The King’s Speech ganhou o prémio do Producer’s Guild, que quase nunca se engana em prever o vencedor.

Realizador

Ganha: Tom Hooper (The King’s Speech)
Devia Ganhar: David Fincher (The Social Network)

A situação é semelhante ao que aconteceu no melhor filme. Tom Hooper venceu o prémio da Ordem dos Realizadores e parece estar na senda da vitória. Apesar do realizador inglês ter feito uma realização até razoavelmente pouco convencional para o que se pode considerar um “filme de época”, o trabalho de David Fincher impressionou-me bem mais. Especificamente o modo como conseguiu tornar uma história tão pouco cinematográfica numa das experiências cinéfilas mais entusiasmantes do ano.

Actor Principal

Ganha: Colin Firth (The King’s Speech)
Devia Ganhar: Colin Firth (The King’s Speech)

Tenho de começar por dizer que adorei James Franco em “127 Hours”, especialmente o modo como ele consegue aguentar um filme potencialmente tão claustrofóbico e parado com a pura força do seu carisma. Mas não há como negar este prémio a Colin Firth. Este é o seu ano. A genialidade da sua interpretação como um rei cuja gaguez quase atrofia o seu destino “divino” é uma lição para qualquer futuro actor e deverá sair premiada. Com justiça.

Actriz Principal

Ganha: Natalie Portman (Black Swan)
Devia Ganhar: Natalie Portman (Black Swan)

Também nesta categoria a concorrência é forte, mas o desfecho ameaça ser previsível. Destaco especialmente a fortíssima interpretação da jovem Jennifer Lawrence em “Winter’s Bone”, mas a estatueta dourada não deverá escapar a Natalie Portman, pela sua visceral intepretação de uma bailarina que, de tanto se obcecar pelo papel do cisne negro, se vai lentamente deixando transformar no mesmo. Hipnótica mas vulnerável, Natalie Portman merece ganhar.

Actor Secundário

Ganha: Christian Bale (The Fighter)
Devia Ganhar: Christian Bale (The Fighter)

Já o disse antes e repito-o: Christian Bale é uma força da natureza. O modo como o actor inglês encarna Dicky Eklund, o carismático irmão do pugilista Micky Ward, enche o ecrã sempre que ele aparece em plano. Se houver justiça nesta categoria, o prémio não lhe deverá escapar, apesar da forte concorrência de Geoffrey Rush, que poderá conquistar o galardão se a tendência da cerimónia começar desde cedo a pender para o lado de The King’s Speech.

Actriz Secundária

Ganha: Melissa Leo (The Fighter)
Devia Ganhar: Hailee Steinfeld (True Grit)

Apesar de estar na categoria errada (dado que aparece essencialmente em todos os planos do filme) a jovem Hailee Steinfeld, de apenas 14 anos, tem a melhor performance entre todas as nomeadas nesta categoria, que aparece este ano, tal como com todas as categorias dos actores, com uma concorrência fortíssima. A tendência de voto tem estado, no entanto, a pender toda, no entanto, para também impressionante Melissa Leo, a matriarca deliciosamente ambígua de “The Fighter”, que deverá arrecadar este prémio.

Argumento Original

Ganha: Christopher Nolan (Inception)
Devia Ganhar: Christopher Nolan (Inception)

Tem de ganhar. Não há outra hipótese. E não estamos aqui a falar de uma questão de compensação por ter sido ignorado na categoria de melhor realizador e estar essencialmente fora da corrida para o galardão máximo na cerimónia. O argumento de Christopher Nolan é um dos mais complexos e originais pedaços de escrita da última década, uma viagem inesquecível à arquitectura dos nossos sonhos.

Argumento Adaptado

Ganha: Aaron Sorkin (The Social Network)
Devia Ganhar: Aaron Sorkin (The Social Network)
 
Ninguém escreve diálogos como Aaron Sorkin, num misto da velocidade supersónica de um filme da velha Hollywood com a sensibilidade sarcástica dos tempos modernos. É o melhor argumento do ano, a base sobre a qual assenta o melhor filme do ano. Tem de ganhar.
 
Pedro Quedas 

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