Depois de ter explodido em 2008 como o definitivo herói de acção adulto e credível em “Taken”, Liam Neeson regressa aos thrillers com “Unknown”, uma proposta curiosa de Jaume Collet-Serra, o responsável por ‘Orphan” (A Órfã).
Aqui Neeson é Martin Harris, um homem que chega a Berlim para uma conferência mas que tem um acidente que o deixa em coma. Ao despertar, e sem qualquer documento que o identifique, a sua memória parece estilhaçada, ficando ainda mais confuso quando a sua mulher (January Jones) não o reconhece e um outro homem (Aidan Quinn) assume a sua identidade. Questionando a própria sanidade mental, e não fazendo a mínima ideia porque um grupo de assassinos o persegue, este homem terá de fugir por uma cidade que desconhece em busca da verdade.
Aproveitando o que o seu actor principal tem para oferecer, quer no domínio do cinema de acção, quer no dramatismo da sua confusão mental, Jaume Collet-Serra cria uma obra tensa com diversos clichés – quer nos eventos, quer nas personagens – mas que sabe explorar bem o tom de suspense, indo mesmo buscar às (suas) raízes do cinema de terror alguns elementos que dão azo a alguns sustos inesperados. O facto de na produção estar Joel Silver (‘Lethal Weapon’ e ‘Matrix’), também faz com que este trabalho se oriente mais para o terreno da acção frenética do que para maiores dúvidas existenciais da personagem principal, quem mal consegue pensar no meio de tudo o que lhe vai acontecendo. O facto de estar numa cidade desconhecida, inflama mais o ambiente da obra, um pouco como acontecia com Harrison Ford em “Frantic” (Frenético) de Roman Polanski, ou em “Bourne Identity” de Doug Liman. E neste último ainda se foi buscar inspiração para o papel de Diane Kruger, muito semelhante ao de Franka Potente no primeiro filme da saga Jason Bourne.
E mesmo que se fale nos actores secundários que o filme tem, que até tiveram participações esforçadas em personagens finas como o papel, quase tudo gira em torno de Neeson, a grande força matriz desta obra, um homem que consegue prender a audiência e, por vezes, até transformar filmes menores em trabalhos conseguidos, como o próprio ‘Taken’, ‘After Life’ e agora este ‘Unknown’.

