No ano em que “Oppenheimer” vai dando cartas nas salas de cinema globais, narrando a forma complexa como Julius Robert Oppenheimer (1904-1967) conseguiu reunir um conjunto de cientistas e condições para iniciar a chamada era atómica, surja um outro objeto cinematográfico de parentalidade temática, mas agora já em plena Guerra Fria e no auge da corrida ao nuclear.

Em “Guardians of the Formula” estamos em outubro de 1958, ano em que experiências nucleares – que dão para o torto – decorrem na antiga Jugoslávia. Liderados por Dragoslav Popović, um professor obcecado, um  grupo de jovens cientistas sérvios é exposto a radiação com uma dose letal de urânio. Com todo o sigilo, esse grupo é enviado para Paris para a clínica do Institut Curie . À espera deles está um médico, Georges Mathé (Alexis Manenti), que também minado de obsessões e princípios éticos está disposto a fazer tudo para os curar e, assim, ser reconhecido nesse campo.

É curioso que um filme que esteja a contar a história de dois homens da ciência obcecados em atingir os seus propósitos, recorrendo a uma frieza calculista e pragmática que coloca sempre a razão à frente dos sentimentos, opte por cair no melodrama rasteiro no seu último terço, não faltando mesmo uma banda-sonora melosa, intrusiva e até mesmo redundante, apenas e só para levar o filme para o campo do drama humano e filme de superação.

Sempre competente na sua vertente técnica, mas principalmente dependente das palavras que povoam o guião, o filme apenas se supera na crueza programada científica que os dois atores principais – o sérvio Radivoje Bukvić e o francês Alex Manenti – imprimem aos protagonistas. Na verdade, “Guardians of the Formula” é, ele mesmo, uma formula previsível nos seus avanços narrativos, sublinhando o seu tom de “baseado em uma história verdadeira” para acentuar no espectador a empatia perante as reais vítimas do acidente nuclear.

Assinado por Dragan Bjelogrlić, cujo  “Montevideo, God Bless you” concorreu ao Oscar de Melhor Filme Internacional,  “Guardians of the Formula” poderia mesmo fazer um bom circuito dentro do cinema comercial e quiçá o streaming, mas em momento nenhum leva-nos a mais que um filme catástrofe de sobrevivência, daqueles que nos últimos anos têm aproveitado múltiplos fait divers – como os mineiros chilenos soterrados e os miúdos preso numa caverna tailandesa – para levar drama às salas com uma forte toada de thriller, já que estamos perante uma corrida contra o tempo e uma luta ideológica no processo.

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Pontuação Geral
Jorge Pereira
guardians-of-the-formula-no-auge-da-guerra-fria-um-caso-jugoslavoGuardians of the Formula” é, ele mesmo, uma formula previsível nos seus avanços narrativos, sublinhando o seu tom de “baseado em uma história verdadeira”