Abner Pastoll e a “mulher virtuosa”

(Fotos: Divulgação)

A Good Woman is Hard To Find foi um dos filmes mais interessantes do MOTELx

Nasceu na África do Sul, vive em Londres mas prepara-se para filmar no Arizona, nos EUA, um novo projeto. “Como sabes disso?“, questionou-nos o realizador Abner Pastoll numa pequena entrevista logo após a exibição do seu A Good Woman Is Hard to Find no MOTELx.

“Sou vidente“, respondi entre gargalhadas, antes de confessar que tinha encontrado a informação no local mais comum: a Wikipedia. Nesta fase da nossa entrevista, já estamos bastante à frente, por isso há que retroceder um pouco para entendermos um pouco mais desta sua nova longa metragem, a qual conquistou Lisboa e atualmente conta com 100% de frescura no Rotten Tomatoes. “Sim, ligo às criticas“, diz-nos o jovem cineasta, que embora muitas vezes encontre escritores quem não entendam o que ele fez ou quis fazer, acredita que o trabalho da crítica é válido e útil para crescer como cineasta.

Este thriller energético e críptico sobre uma jovem viúva que tem de lidar com a invasão da sua casa por parte de um misterioso traficante consegue fugir dos lugares comuns, esgueirando-se entre o mistério e o drama, o terror e o suspense, sem nunca esquecer uma viagem entre o onírico e o real.

“O título vem de uma passagem da Bíblia”, explica-nos Pastoll, acrescentando como entrou no projeto: “Tinha acabado de filmar o Road Games e andava à procura de um escritor para colaborar, pois tinha escrito o meu último trabalho e agora queria colaborar com alguém. Conhecia um agente e perguntei-lhe se ele tinha escritores como clientes. Ele mandou-me cinco guiões e um deles era o ‘A Good Woman is Hard To Find’. Fiquei siderado, achei-o fantástico. E tinha sido a primeira pessoa que tinha lido o guião, por isso tive de avançar para o projeto“.

Mesmo com um guião forte, escrito por alguém que não ele, nota-se fortemente o dedo cinemático de Pastoll, não só no uso das cores aguerridas [vermelhos, azuis, amarelos] nas cenas noturnas e desbotadas e menos inflamáveis nas diurnas. Seja como for, todo o filme tem um ambiente muito sombrio e o som ganha aqui uma força suplementar apoderando-se das personagens e canalizando o espectador para um verdadeiro inferno pessoal: “Isso são elementos que acrescentei para dar uma dimensão que absorvesse a história”, conta o realizador: “Para mim a música é a coisa mais importante de um filme, para além dos atores. A forma como encontro o visual e atmosfera para o filme é através da música, do som. Como é algo tão importante para mim, obviamente que injetei no filme com mais força“.

E por falar em atores, há que falar em Sarah Bolger, a única atriz que Pastoll imaginava naquele papel, e no pequeno ator que apesar de não poder ver o filme, nem ter participado nas cenas mais gráficas da obra, sabia bem em que filme estava metido: “Foi divertido e ele tinha uns pais que o apoiaram nas filmagens. Eles sabiam do que o filme tratava. O engraçado na criança é que ela estava a par do que se passava. Ela não viu nada gráfico, mas tinha consciência da violência. Ele chegou a perguntar-me: ‘isto é antes ou depois da minha mãe [no filme] matar este ou aquele’? “(risos).

Novos projetos

Pastoll confessa que está a trabalhar em vários projetos, um dos quais no Arizona. Com algum secretismo, lá nos confessa que este thriller de ação está a ligado ao roubo de automóveis e acompanha uma jovem de 16 anos. “É tudo o que posso dizer sobre ele“, conclui.

Já o outro projeto é uma comédia, um filme que ele também quer transformar em série com a ajuda do seu argumentista de A Good Woman is Hard To Find. “Adoramos a personagem de tal maneira que queremos explorá-la mais” . O pitch? “Digamos que é um Breaking Bad no feminino com uma mãe solteira“.

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