Presente de Natal da Amazon Prime para os cinéfilos, “Sylvie’s Love”, que estreia no dia 25, é um elogio ao cinema romântico dos anos 1950, em especial “O Grande Amor da Minha Vida” (“Tarde Demais Para Esquecer” no Brasil), de 1957, ao propor uma reflexão, nas raias da tristeza, sobre o ónus que cerca o querer.
Eugene Ashe, realizador de “Homecomig” (2012), é o piloto desta produção apoiada no carisma de Tessa Thompson e Nnamdi Asomugha. Na sua juventude, Ashe viu as filmagens de “Serpico”, com Al Pacino, onde morava, e, ali, sentiu algo de atraente no processo audiovisual de contar histórias.
Esse apreço inspirou um cinema pautado pela discrição e pela suavidade. Na longa-metragem que chega agora ao streaming, Sylvie trabalha na loja de discos do pai e vê a sua rotina ser rompida pelo envolvimento com um saxofonista, Robert (Asomugha), que começa a trabalhar lá também. Mas conforme vai trilhando uma estrada de sucesso na música, a relação apaixonada entre os dois vai passar por percalços.
De que maneira “Sylvie’s Love” dialoga com a tradição do amor romântico do cinema, em especial dos filmes dos anos 1950?
A questão que me interessa aqui é discutir a questão do sacrifício. Amar resvala na hipótese de abrir mão. Em nome do bem profissional do próximo, as personagens do filme são forçados a repensar o que sentem. Mas qual é o preço dessa escolha? Tenho a sensação de que existe uma universalidade aí.
Durante a produção, citou em entrevistas a referência ao programa “The Dick Van Dyke Show” para a direção de arte da sua longa-metragem. Foi uma influência?
Era um show incrível, de onde tiro uma perceção de leveza e um padrão de cor.
Qual é a dimensão de melodrama que existe na sua narrativa, que evoca Douglas Sirk?
O coeficiente melodramático aqui vem das pequenas coisas do dia a dia que afetam um amor. Mas o ponto central, além da discussão dos impasses profissionais, é a luta pela emancipação feminina, na figura de Sylvie.

