Sniper: franquia de ação encontra em Chad Michael Collins um candidato a Stallone

(Fotos: Divulgação)

Celebridade no universo dos videogames por emprestar voz, carisma e humanismo à figura de Alex, um dos vigilantes militares do jogo “Call of Duty: Modern Warfare”, além de ceder o seu timbre vocal a Jack Calvary em “Hidden Agenda”, Chad Michael Collins é hoje uma aposta do cinema para renovar o stock de astros de ação, dando prosseguimento a um legado que vem da década 1980, com Stallone e Schwarzenegger.

A sua fama no universo dos videojogos fez dele o herdeiro da franquia “O Atirador” (“Sniper”), criada em 1993, tendo Tom Berenger como protagonista. O último tomo da cinessérie, com roteiro e produção de Oliver Thompson, inspirado nos tipos criados por Michael Frost Beckner, é “Sniper: Assassin’s End”, disponível já em várias redes de streaming. Ele pode ser visto na Apple Store | iTunes, Google Play, Looke, Microsoft Filmes e TV (Xbox), NOW, Oi Play, PlayStation Store, SKY Play e Vivo Play. No filme, cujo título em português é “O Atirador: O Fim de Um Assassino”, Chad rouba todas as cenas, encarnando Brandon Beckett, filho e herdeiro do legado guerreiro de Thomas, papel de Tom.

Brandon é um tipo de guerreiro estrategista, que está sempre a pensar que age, na guerra, como se estivesse num tabuleiro de xadrez, movido por um código de honra, como se fosse um samurai. No silêncio, um atirador como ele sente-se confortável. Tanto que tem dificuldade de estabelecer uma relação afetiva com o seu pai, o único capaz de ajudá-lo na encrenca em que se mete”, disse Chad numa conversa por Zoom com o C7nema. “Eu tenho conversado com brasileiros em chats por conta de ‘Call of Duty’ e isso me instiga a aprender português”.  

Com uma vasta carreira na TV, o ator nova-iorquino de 40 anos teve destaque na série “Extinct”, tendo passado ainda em sucessos da TV como “CSI”, “Blue Bloods” e “Bones”. “A pandemia pôs o mundo das artes em recessão, mas espero retomar logo o papel de Brandon em paralelo aos meus projetos de séries e filmes, pois ele representa o valor da espera e da arte de ser paciente em um universo heróico”, diz o ator, que é fã de bandas desenhadas. “A minha BD favorita é ‘Punisher’, da Marvel, mas gosto muito do trabalho do guionista Garth Ennis em ‘Preacher’. Leio desde os 7 anos. É uma paixão longa”.   

Regado a adrenalina, “O Atirador: O Fim de Um Assassino” é dirigido por um ás do Canadá das BDs, Kaare Andrews (realizador do ótimo “Altitude”), famoso pelo seu trabalho com o Homem-Aranha. Dos comics, ele traz um senso de ritmo que fragmenta os focos narrativos, injetando elementos visuais que driblam as amarras do realismo, pela estilização. É o caso da assassina japonesa Lady Death (Sayaka Akimoto), que lembra uma ninja e algumas heroínas dos X-Men, como Psylocke. Ela é quem deflagra a trama, ao disparar um tiro contra um investidor estrangeiro que assinaria um tratado comercial com os EUA. Como o crime é cometido em absoluto sigilo, sem que ela deixe rastos, o Serviço Secreto Americano vai atrás da única pessoa com habilidade para disparar daquela forma: o já citado Brandon Beckett (Chad Michael Collins, com retidão à la Burt Lancaster). Ele torna-se o principal suspeito do assassinato e é detido para interrogatório. Mas ao ser encaminhando para a detenção, é alvo de um atentado, conseguindo escapar. A sua única saída será contar com o apoio de seu pai, Thomas Beckett (Berenger, numa memorável performance, com ares de Richard Widmark).

Existem enquadramentos no filme em que vemos uma mesma cena do ponto de vista de Brandon, de Thomas e de Lady Death, da mesma maneira como se faz nas BDs, o que dá uma profundidade de campo notável à narrativa”, elogia Chad. “Kaare dá à longa-metragem momentos de John Woo e de ‘John Wick’, num estilo visual particularíssimo”.

No filme, um agente de boa índole, Zero (Ryan Robbins), percebe que há algo de pobre em torno da acusação a Brandon e resolve ajudá-lo, esbarrando em Lady Death. Ela também cruza o caminho de Thomas, numa sequência de perseguição frenética. Kaare realiza o filme em plena sintonia com a tradição do bêábá dos thrillers dos anos 1980 e 1990 (em especial os de Walter Hill, como “Red Heat”), potencializando a forma de representar a violência com lutas inusitadas. A melhor delas é a sequência na qual Brandon usa o rifle como “tacape” para enfrentar a sua algoz japonesa. Os diálogos apostam na ironia, em especial na cena em que Zero força um executivo a atendê-lo desmobilizando um encontro deste, num jantar romântico. Já Berenger emprega toda a experiência amealhada nas últimas quatro décadas para dar a Beckett uma dimensão de ronin.

Cresci a ver ‘Platoon’ e de ‘The Big Chill’, ambos com Berenger, e estou sempre a aprender com ele. A beleza de ser ator é a predisposição para o aprendizado que está no cerne do nosso ofício”, diz Chad, que é fã também de Viggo Mortensen. “Cito-o a ele porque o primeiro grande herói de que tomei consciência foi Aragorn, do universo de Tolkien: um guerreiro que é antes de tudo um rei”.   

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