A cineasta Ava DuVernay lançou uma nova iniciativa que pretende responsabilizar os agentes da lei quando estes cometem atos de brutalidade, como o ocorrido com George Floyd, que levou à sua morte e aos protestos globais BlackLivesMatter.
“Agentes da lei que matam negros desarmados geralmente recebem salário administrativo, outro emprego, e uma vida no anonimato. As vítimas, recebem elegias. Como sociedade, temos este ângulo morto que é concordar em não dizer o nome desses agentes. Não concordo mais com isso.”, disse a realizadora no Twitter.
Denominado Law Enforcement Accountability Project ( Projeto de Responsabilização da Aplicação da Lei), esta iniciativa define-se como uma “ação direta que interrompe o código de silêncio em torno dos abusos, agressões e assassinatos de pessoas negras por parte da polícia”. No centro da sua atividade vai estar o financiamento de várias disciplinas artísticas, incluindo cinema, teatro, fotografia, música, dança e literatura, para divulgar as histórias de ativistas que têm histórias de brutalidade policial para contar.

Falando sobre o caso do falecido George Floyd, DuVernay disse ao The Washington Post: “Estou habituada a assistir a imagens violentas e racistas. Porque razão os momentos finais de George Floyd devastaram-me tanto? Percebi que era porque desta vez o policia não está escondido atrás de uma câmara corporal ou distorcido por um vídeo de vigilância granulado. Desta vez, consigo ver o rosto. Como espectadora, existem vários momentos em que ele olha diretamente para mim. Foi aí que comecei a perceber o quão raro isso acontece (…) Quantos desses policias nunca vemos a fazer isso?’ Eles desaparecem, saem das cidades e aparecem noutro departamento. O nome deles é dito, mas nunca é amplificado. De alguma forma, nós, como cidadãos americanos, concordamos em não dizer os seus nomes. Eu não concordo mais com isso.”

