Quando a Berlinale se calou perante o veto chinês a “One Second”

(Fotos: Divulgação)

Episódio ocorreu em 2019

Com a cabeça na educação literária de Fenyang registada por Jia Zhangke no delicado “Swimming Out Till the Sea Turns Blue” (“Yi zhi you dao hai shui bian lan”), o público das diferentes seções da Berlinale parece não lembrar mais do facto que, há um ano, o evento teve um de seus filmes extirpados da competição oficial sob a suspeita de veto do governo da China contra olhares críticos dos seus realizadores.

Nada se fala, desde 2019, do chamado “O Caso Zhang Yimou“. As aspas referem um incidente envolvendo “One Second“, o novo filme do mestre chinês responsável por pérolas como “The Story of Qiu Ju” (Leão de Ouro de 1992). A “dramédia” que ele ainda não lançou foi retirada da disputa pelo Urso de Ouro às pressas, com o festival passado já a decorrer. E saiu sem explicação prévia. A justificação dada: a produção ainda não estava 100% finalizada. O rumor generalizado: a alta cúpula do Poder da China teria reprovado a dimensão política da narrativa de Yimou, censurando-a para cortes. A trama tem como foco a amizade entre um cinéfilo e uma jovem que vive sem tecto, numa província.

Falou-se que seria o melhor trabalho recente do cineasta, que botou o planeta pra chorar, em 1988, com “Red Sorghum“, e abalou nervos, em 2002, com “Hero“. Na sua passagem pelo Festival de Pingyao (PYIFF), do já citado Zhangke, realizado em outubro, Yimou falou de um outro projeto, já em finalização, que também teria Berlim como vitrine. Essa obra em fase de conclusão é um thriller de espionagem chamado “Impasse“. Zhag Yi (de “As Cinzas Brancas Mais Puras“) é o protagonista. Na ocasião, ele comentou que espera ver “One Second” no circuito, apesar dos percalços que passou. A 2 de abril, o realizador de “Raise the Red Lantern” (1991) completa 70 anos. Seria uma ocasião ideal para ver a sua criação nascer, com liberdade, nas tela. Fala-se de uma Palma honorária para ele em Cannes.

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