Amor à Segunda Vista: as duas vidas de Joséphine Japy

(Fotos: Divulgação)

Joséphine Japy é protagonista de Amor à Segunda Vista

Já a tínhamos visto em O Monge (2011) de Dominik Moll, mas foi em Respira (2015), de Mélanie Laurent, que Joséphine Japy deu nas vistas. 

Nomeada ao César [principal prémio do cinema francês] de melhor esperança do cinema gaulês por essa interpretação, a jovem atriz explicou ao C7nema – em entrevista durante a Festa do Ciema Francês – que não sentiu qualquer espécie de pressão na carreira por essa indicação. “É incrível quando te dizem que estás nomeada, mas não senti a pressão. Há outras coisas que me metem medo e dão-me stress no trabalho. (…) naquela altura, três dias depois de saber dessa nomeação tinha de passar num exame para entrar numa escola que me agradava muito e que é difícil de conseguir vagas [Instituto de Estudos Políticos de Paris]. Esse exame stressou-me mais que a nomeação.

Presente na comédia romântica Amor à Segunda Vista, que chega esta semaa às sals, a jovem parisiense tem um duplo papel com a mesma personagem. Ao narrar a história de um homem casado há dez anos que após uma discussão com a namorada entra numa realidade paralela em que não a conhece, Japy foi obrigada a encarar dois papéis: de um lado o da esposa dependente e casada com François Civil, do outro (no tal mundo paralelo) o de uma mulher independente e famosa no mundo do piano que não conhece “o esposo”.

Trabalho a dobrar para a jovem, que nos explicou que a colaboração com Hugo Gélin começou três meses antes das filmagens gerais. Sobre a inspiração para a sua personagem, Japy confessa que é difícil abordar o tema, mas que na sua mente surgiram sempre grandes filmes e grandes personagens: “Vi várias comédias de uma atriz em particular que me inspirou bastante: Caminho para Dois (1967) com a Audrey Hepburn. É um filme super interessante sobre a construção e desintegração de um casal. É um filme que gostei muito. Gosto também de todas as comédias de Ernst Lubitsch, que são bem sucedidas na questão do amor, dos casais, das mulheres, dos triângulos amorosos. São filmes que tinha na cabeça, mas é muito complicada essa questão do que temos na cabeça quando abordamos uma personagem. São influências mais na atmosfera e na história.”

Um ator não é apenas um ator


Amor à Segunda Vista

Para Japy, uma das ideias que a “irritam” são aquelas que estabelecem o conceito que um ator não é nada mais que ator. “Creio que [ator] é uma carreira que te permite fazer e aprender outras coisas. É isso que gosto quando leio a biografia de grandes atores e tenho pena de hoje em dia que essa imagem tenha desaparecido, de haver a ideia que se estamos nesta profissão temos de fazer os estudos clássicos de cinema ou teatro. Para além disso, os estudos que fiz interessavam-me, tive professores excecionais e conheci gente do mundo inteiro, todos com profissões diferentes da minha”.

Novos projetos?

Tenho um filme que deve ser lançado, vamos ver [risos] É uma situação complicada. É um filme com um ator/rapper chamado Nekfeu [L’échappée, 2019]. Depois disso, tenho uma adaptação da obra do Balzac: Eugénie Grandet”, Esta fita acompanha a mentalidade da época da Restauração (1814 – 1830) e, como Um Conto de Natal, de Dickens, ou O Avarento, de Molière, desenvolve o tema da avareza exacerbada. O livro aborda também a paixão  de uma jovem provinciana de 23 anos – que vive com os seus pais em Saumur, nas margens do Loire – por um primo parisiense e aristocrático, que viera à cidade por recomendação do seu pai, que logo em seguida se suicidaria por dívidas.

Últimas