Há anos que várias religiões e fés anunciam o regresso à Terra de um Messias. Pois bem, o redentor voltou e está disponível no catálogo Netflix

Fé
Numa época em que valores, instituições e história estão constantemente a ser testados e questionados, o serviço de streaming arriscou ao colocar no seu catálogo uma série que se alicerça num dogma: a fé, tema que acarreta uma das mais discutidas e polémicas doutrinas, a religião.
Messiah tem como história principal a recção da sociedade contemporânea ao suposto regresso do Messias à Terra. E tal como há 2020 anos, o aparecimento do Prometido acontece no Médio Oriente. Este regresso escatológico à terra de uma entidade superior abala crentes e descrentes, arrasta seguidores e lança o pânico nas entidades políticas e de segurança internacional. Obviamente que o aparecimento de um potencial líder de massas em Damasco, capital da Síria, faz com que todos os sinais de alerta da CIA sejam ligados.
Cabe a Mehdi Dehbi o papel de Al-Masih, o messias e homem miraculoso, e à personagem de Michelle Monaghan, a agente especial Eva Geller é entregue a missão de o investigar como potencial terrorista.
Juntar numa série de 10 episódios, temas como a fé, Medio Oriente, terrorismo e politica/segurança internacional é arriscado e talvez a ausência de grande feedback por parte do público em torno desta projeto seja reflexo deste risco tomado pela Netflix.
A série criada por Michael Petroni tem vários problemas, sendo o maior e talvez o mais gritante, o protagonista. É difícil para não dizer impossível criar empatia com o jovem ator. Enquanto figura central do argumento, Dehbi como Al-Massih é inexpressivo e pouco ou nada empático. Nem quando discursa perante massas ou quando coloca em prática algum tipo de milagre consegue atingir chamar a atenção do público. A imagem escolhida para o ator é muito semelhante à imagem – sobretudo à representada na pintura renascentista de Jesus Cristo – mas na tez de um jovem muçulmano. Esta é uma ideia bem pensada mas muito penalizada pela associação propositada da personagem ao terrorismo.
Quanto à experiente Monaghan, infelizmente não consegue fugir ao cliché de comparação constante à personagem de Claire Danes em Homeland, a bipolar agente da CIA, Carrie Mathison.

Messiah podia ser mais provocadora e audaz, mas não arrisca. Não precisava de muito para ser mais sedutor, bastava por exemplo, ousar em dissecar a interessante frase da personagem de Monaghan: “Jesus was just a populist politician with a grudge againts the Roman Empire“.
Ninguém fica indiferente às questões de fé. É neste mítico conceito que tantas vezes recorremos em várias situações das nossas vidas. Mesmo aqueles que argumentam não acreditar em nada, e independentemente da fé que professam, já se sentiram tentados ou já recorreram a exercícios de fé, nem que seja quando entregam o boletim semanal do Euromilhões.
A fé é intrigante, é um mistério e o exercício de imaginar o regresso do filho de Deus ao universo dos comuns mortais é bastante interessante e por isso a premissa da serie é vencedora mas infelizmente nem história principal, nem as histórias / personagens secundárias conseguem fazer jus ao potencial imenso da temática central da série.
O fim da primeira temporada termina com um milagre… resta-nos perceber se será suficiente para avançar para um segundo capítulo.
Messias
(latim messias, -ae)
substantivo masculino de dois números
1. Redentor prometido aos judeus. (Com inicial maiúscula.)
2. [Por extensão] Pessoa esperada ansiosamente.
3. [Figurado] Reformador social.
esperar pelo Messias
• Aguardar ansiosamente a chegada improvável de alguém ou a ocorrência de algo pouco provável de acontecer; alimentar falsas esperanças. = ESPERAR PELA VINDA DO MESSIAS
in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha]

