Quando o “furacão” Macaigne, como é apelidado pela imprensa, esteve em Portugal por alturas do Indielisboa em 2016, o ator, produtor e realizador afirmou numa entrevista ao C7nema que era a sua primeira visita ao país.

Agora, quatro anos depois, voltamos a encontrar o ator, mas em Paris. Desta vez, Vincent lá reconheceu: “Adoro Portugal. Regressei várias vezes ao país simplesmente para passear, sem uma razão explícita. Sozinho e tudo“.
Ficou na retina do ator o nosso país, em particular o IndieLisboa, para quem só tem boas palavras. “Foi excelente ter uma retrospectiva lá e o trabalho feito por esse festival é alucinante. Ao mesmo tempo, foi uma experiência bizarra, ver todos os teus filmes, foi um pouco melancólico. Penso que é um festival muito preciso, específico. Muitas vezes os festivais e os filmes independentes tornam-se uma moda, mas ali não senti que seguissem essa moda do “indie” [como se usa nos EUA]. Acho isso muito raro dentro da Europa. É um festival único“.
Conhecido particularmente pela sua presença em inúmeros filmes franceses da última década, onde destacamos A Batalha de Solferino, A Rapariga de 14 de Julho, Eden, Agnus Dei – As Inocentes e Branca Como a Neve, Macaigne vai ser visto brevemente nos cinemas em Portugal no filme Festa de Família de Cédric Kahn, onde contracena ao lado de nomes como os de Catherine Deneuve e Emmanuelle Bercot. Na produção, interpreta um dos filhos de Deneuve, que se reúnem numa casa para a festa de aniversário da mãe. Aspirante a realizador, a personagem de Macaigne quer filmar a festa em modo documentário, mas o caos instala-se. “Inspirei-me muito em pessoas que conheço. A minha personagem está sempre a fumar charros, eu nunca fumei um na minha vida (risos)“. Sobre trabalhar com alguns dos grandes nomes do cinema gaulês, Macaigne frisa que existia uma verdadeira camaradagem entre todos. “Tinha um pouco de receio. Para mim, a Catherine Deneuve é uma espécie de monumento. É como se estivesse a trabalhar com o Arco do Triunfo (risos). Mas depois do primeiro dia de trabalho, e como ela está sempre presente com aquela qualidade e exigência, tudo se tornou normal“.

Macaigne vai ainda ser visto brevemente no novo filme de Wes Anderson, The French Dispatch, mas assegura que é um papel demasiado pequeno, quase de figuração: “Tenho uma pequena aparição, um pouco bizarra. O que faço na obra é meramente anedótico. (…) É genial ver a forma como o Wes Anderson trabalha, mas apareço apenas momentaneamente“.

