Era uma vez… em Hollywood – com três estatuetas – foi o filme mais premiado numa cerimónia com várias surpresas
Ricky Gervais em piloto automático

Hollywood não escapou ilesa a diversas “bocas” do anfitrião, com temas como Harvey Weinstein, Jeffrey Epstein e o escândalo Felicity Huffman a virem ao de cima. Gervais não é o tipo que gosta de dar palmadinhas nas costas, ou vangloriar/celebrar os privilegiados que se sentam na sala a assistir os Globos. Ainda assim, e no meio de algumas “bocas” ligeiras (a DiCaprio, Greta Thunberg) e mais pesadas (sobre os temas acima citados), sentiu-se alguma autocensura do comediante, constantemente acusado de transfobia nos últimos anos. Foi uma apresentação em piloto automático.
Discursos Políticos

Russell Crowe não esteve presente, devido aos incêndios na Austrália, mas lembrou a questão climática – que tem fortalecido esta tragédia. A australiana Cate Blanchett reforçou a ideia e muitos mais fizeram referência à emergência climática. Já Patricia Arquette visou Trump e a sua cruzada contra o Irão – em busca da guerra – e relembrou o poder do voto nas eleições em 2020. Michelle Williams foi no mesmo sentido, mas focou-se mais no poder do voto feminino e das mulheres terem de atuar mais nas estruturas de poder.
O poder do discurso Joaquin Phoenix

Emocionado, mas sempre desbocado, Phoenix foi o que obrigou a produção a silenciar mais o seu discurso de aceitação. No meio de vários palavrões, Phoenix congratulou todos os que falaram de questões importantes, como o aquecimento global, os incêndios na Austrália e o poder do voto nas eleições americanas deste ano, mas lembrou algo muito mais importante. Mais do que discursos é preciso ação e não se pode depender apenas do poder político, mas sim nas decisões pessoais que tomamos no dia a dia. Acabaria silenciado e a apressar discurso.
A surpresa 1917

Dos nomeados, na categoria drama, era o único filme que ainda não tinha tido uma estreia em larga escala. Com a vitória, o marketing do projeto ganhou um “boost” extra para encontrar maior sucesso em todo o mundo, derrotando os favoritos da crítica como Joker, O Irlandês e Marriage Story (o mais nomeado da noite). Na comédia, Tarantino e o seu Era uma vez… em Hollywood dominaram, embora a derrota de Leonardo DiCaprio a favor de Taron Egerton (Rocketman) tenha sido uma pequena surpresa.
Netflix, a grande derrotada

Com 34 nomeações, a Netflix era – na véspera da cerimónia – a grande favorita. Acabou por ser a grande desilusão, pois viu apenas Laura Dern (Marriage Story) ser premiada como melhor atriz secundária em cinema, e Olivia Colman (The Crown) na TV.
HBO em grande

Com quatro prémios diretos, entre Succession e Chernobyl, a HBO conquistou a noite nos prémios de TV. Se pensarmos em termos de HBO Portugal, foram 7 na totalidade os prémios, pois The Act, The Loudest Voice e Fosse/Verdon, embora pertençam ao catálogo Hulu, Showtime e FX nos EUA, por cá têm essa plataforma como distribuidora.
Disney “a ver navios”

Se nas principais categorias, a poderosa Disney estava já arredada das nomeações, a derrota na categoria de animação foi mesmo um enorme balde de água fria, até porque se sabe o domínio desta empresa neste ramo (6 triunfos em 10 anos). Talvez o facto de ter três filmes a concurso tenha dispersado os votos e favorecido o filme independente a concurso.

