2020 poderá ser o ano de Banderas

Apesar da concorrência acirrada com Joaquin Phoenix (Joker) e Adam Driver (Marriage Story), o espanhol Antonio Banderas tem tudo para sair do Beverly Hilton, neste domingo, 5 de janeiro, com o Globo de Ouro de Melhor Ator de Drama nas mãos, uma vez que seu desempenho (arrebatador) em Dor e Glória vem sendo encarado como um “caminho” para os votantes da Hollywood Foreign Press Association (HFPA) que não querem se indispor com a DC/Warner, nem com a Netflix.
Em paralelo a essa especulação, crescem, pela web – e nos corredores da Cinématheque Française, que anda sediando conversas nos corredoresr com foco na corrida pelo Oscar – de uma possível escolha do ator como presidente do júri da Berlinale 70.
Agendado de 20 de fevereiro a 1 de março, o Festival de Berlim ainda não divulgou quem comandará os seus jurados, nem quem vai concorrer ao Urso de Ouro – só se sabe a escolha de Helen Mirren para receber o troféu honorário. Banderas seria uma escolha para conduzir a premiação e ainda participaria numa projeção da cópia restaurada de Ata-me (1989), celebrando as três décadas de estreia da longa-metragem em solo berlinense. Toda a especulação veio a reboque das comemorações dos 60 anos de Banderas – a ser comemorada a 10 de agosto. Fora toda a sua consagração no recente fenómeno de bilheteiras do realizador Pedro Almodóvar, coroada com o prémio de melhor interpretação em Cannes, Banderas ainda assume o protagonismo de um dos filmes europeus mais esperados de 2020: Lamborghini, de Bobby Moresco. A biopic de Ferruccio Lamborghini, fundador de uma das mais famosas escuderias da indústria automobilística foi antecipada na esteira do prestígio mundial de Ford vs. Ferrari, de James Mangold. E Alec Baldwin entra em cena como Enzo Ferrari, ao lado de Antonio, que tem outras ambições para o ano que vem.

Ata-me
“Esse prémio de Cannes foi uma consagração que chega num momento em que preciso de uma mudança. Não vou parar de atuar, tenho ainda o desejo de realizar novos filmes, pois só rodei alguns, mas quero fazer algo mais próximo de um trabalho de formação, no teatro, e mesmo nos EUA“, disse Banderas ao C7nema, no fim do festival francês, em maio.
Até ao fim do ano, ele será visto ao lado de Robert Downey Jr. em Dolittle, juntamente com bichos falantes, e contracena com Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson na comédia com toques de ação The Hitman’s Wife’s Bodyguard. “Muito do que fiz até aqui vem da paixão que conheci, nos cinemas de Espanha, quando encontrei Pedro, numa época de transição política, quando nós tínhamos grandes realizadores em atividade“, disse Banderas, cujo carisma ajudou Dor e Glória a se estabelecer como um dos hits autorais do ano, com receitas estimada em 36 milhões de dólares. “Fazer esse regresso às minhas raízes com o Pedro foi libertador, especialmente em relação ao que trouxe de Hollywood comigo. O maior desafio para executar um processo de libertação desses é saber se era capaz de reencontrar um parceiro como ele, sem o peso da bagagem repleta de experiências afetivas da vida. Precisei esvaziar quem era e procurar a minha encarnação mais livre. Foi lindo“.

Doolittle

