Sala Manoel Oliveira do Cinema São Jorge esgotou para ver Zé Pedro Rock n’ Roll

Cachecóis, bandeiras, gritos e palmas. O Cinema São Jorge em Lisboa foi invadido por uma legião de fãs do falecido Zé Pedro, ícone do rock em Portugal, cuja carreira se entrelaçou com inúmeros outros músicos do nosso panorama, mas que ganhou notoriedade pelos seus acordes desde a fundação dos Xutos e Pontapés, um nome mais “punk” que o originalmente pensado de Beijinhos & Parabéns. No final da sessão, uma enorme ovação percorreu a sala, que cantou bem alto o tema que encerrou os créditos.
Ao contrário do que se poderia esperar, não é um filme de saudades superficiais e muito menos de manipulações lacrimais, mas definitivamente sentido e contido. Uma homenagem, mas nunca redutora ao culto em torno de um “rockstar”.
No documentário, que não chegou às duas horas, percorremos, da infância à morte, de Timor a Lisboa, alguns momentos marcantes da vida de Zé Pedro, narrados por quem se cruzou com ele nos trilhos da vida (Tim, Kalú, João Cabeleira, Gui, Miguel Quintão, Jorge Palma, etc), mas também pelo próprio, que em diversas entrevistas ao longo dos tempos foi detalhando pormenores da sua vida familiar, amorosa e, claro, da sua absoluta loucura pela música.
Descobrimos que guardava todos os bilhetes dos concertos a que ia, da importância de espaços – ou falta dela – fossem eles os Alunos de Apolo, onde os Xutos se estrearam, o Rock Rendez-Vous onde explodiram, e posteriormente o Johnny Guitar. Visitamos a sua carreira além Xutos, em bandas como Os Cavacos e Palma’s Gang, e encontramos – através dos mais próximos a ele – o seu maior defeito: a teimosia.
Numa mistura de imagens de arquivo, músicas (de várias bandas, não só nas que tocou), testemunhos de colegas, amigos e familiares, entendemos aquilo que ele viveu, os bons e os maus momentos, sem nunca escarafunchar ou desnudar profundamente temas mais duros como os excessos, a doença, ou até atividade ou ideias políticas (totalmente ausente), mas encontramos certamente um toque da sua alma, a chama da sua paixão por música, e , acima de tudo, a marca indelével que deixou em tantos e na música portuguesa.
Zé Pedro Rock n’ Roll teve a sua estreia neste Doclisboa, mas vai chegar aos cinemas nacionais no próximo ano através da NOS.

Foto: Doclisboa

