Tim Roth: “Ray Winstone é a razão pela qual quis ser ator” – em construção, publica-se no fds

(Fotos: Divulgação)

O ator norte-americano Tim Roth é mais conhecido do grande público pela sua presença nos filmes de Quentin Tarantino e pela série de TV, Lie To Me

Presente no Festival dos Campos Elísios em Paris, que lhe dedica uma retrospetiva, Roth abordou numa entrevista ao Telerama e numa masterclass no festival alguns detalhes sobre as suas participações no cinema, entre elas a razão porque se tornou ator e a sua maior inspiração para seguir esta profissão.

O Ray Winstone é a razão pela qual quis ser ator, tendo descoberto isso no Quadrophenia, e especialmente no Scum”, disse Roth, acrescentando que este último foi o projeto que mudou a sua vida: “Vi e revi esse filme, de novo e de novo, no cinema. E o meu primeiro trabalho de ator foi me oferecido pelo seu diretor, o Alan Clarke!

O filme foi o Made in Britain (1982) e lançou a carreira de Roth noutra direção: “Na época, trabalhava num supermercado e vendia assinaturas de telefone a pessoas que não podiam comprá-las. Quando as filmagens de Made in Britain terminaram, o Alan perguntou se eu queria ser ator e com quem eu queria trabalhar. Disse-lhe que tinha ouvido falar de um tipo, o Mike Leigh, e ele informou-me que ele estava a fazer um casting. Ligou-lhe, embora o Mike não gostasse do Made in Britain. O que não o impediu de me escolher para o Meantime, que então me levou ao The Hit (1984), do Stephen Frears.”

James Gray, Quentin Tarantino e outras macacadas

Falando sobre a sua presença em Planeta dos Macacos de Tim Burton, Roth reconhece: “Fiz esse filme para os meus filhos e só para eles. Simultaneamente pediram-me para interpretar o professor Snape em Harry Potter.  (…) percebi que a carga de trabalho seria muito alta e, de alguma forma, não queria ser trancado numa caixa, até porque sabia que Harry Potter geraria muitos mais filmes e duraria anos. (…) Nunca me arrependi dessa escolha e o Alan Rickman [como Professor Snape] é fantástico! Resumindo, achei muito engraçado interpretar um macaco e os meus filhos acharam isso também muito engraçado (…) Tim Burton queria um filme muito mais sombrio do que foi autorizado a fazer (…) Ao menos, a personagem mais sombria era minha“.

Já sobre trabalhar com James Gray, Roth confessa o fascínio em trabalhar numa primeira obra de alguém, reconhecendo que Viver e Morrer em Little Odessa (1994) foi uma das suas melhores experiências, até porque trabalhou ao lado de grandes atores, como Vanessa Redgrave, de quem é assumidamente fã: “Acabei interpretando o filho da Vanessa. Lembro-me em particular de duas cenas em que, devido à sua presença, foi muito difícil me concentrar. Ela é uma das minhas atrizes favoritas e tive a sorte de ter esses momentos com ela.

Finalmente, e sobre Cães Danados (1994), Roth explica que estava no seu apartamento em Los Angeles e que se sentia sozinho nos EUA, desejando voltar a Inglaterra: “Mas não havia trabalho na Inglaterra porque o John Major, na tradição da Margaret Thatcher, destruiu a arte e fez de tudo para quebrar os artistas que lutaram contra ele. Na América, pelo menos, havia trabalho! (…) Cães Danados é o filme que me permitiu estabelecer-me nos Estados Unidos e ter o dinheiro para fazer o meu filme, A Zona de Guerra (1999)”.

Já sobre o novo filme de Tarantino, Once upon a time in Hollywood, Roth admite que vai participar no filme em jeito de cameo e acrescenta que para ele as filmagens vão começar muito brevemente: “É um super guião“, conclui.

Festival dos Campos Elísios em Paris decorre de 12 a 19 de junho.

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