Takashi Miike tem medo dos próprios filmes

(Fotos: Divulgação)

 

Numa entrevista ao El Pais, o prolífico realizador japonês Takashi Miike admitiu que já se sentiu mal a filmar alguns dos seus filmes de horror, dando como exemplo o poderoso Audition. O cineasta admitiu também que não gosta muito de ver filmes do género e que prefere sempre obras de artes marciais: «Tenho a dizer que já me senti mal a gravar os meus próprios filmes de horror. Reconheço que senti-me mal a rodar algumas cenas de Audition. Mas é uma forma de me sentir mal muito estranha e diferente de qualquer outra: é um medo divertido, com o qual passas um bom bocado. Já sobre o cinema de terror que os outros fazem, prefiro não o consumir, pois causam-me angústia. Os [filmes] que Kiyoshi Kurosawa faz, por exemplo, aterrorizam-me. Prefiro ver um bom filme de artes marciais. Os de Bruce Lee encantam-me desde pequeno, desde que vi O Dragão Ataca. O fascínio que me provocava a mim e aos meus amigos era imenso. Bruce Lee, nos dias de hoje, continua a ser um Deus para mim. Amen


Audition

Conhecido por uma carreira repleta de obras antagónicas, Miike é responsável por filmes grotescos (como Visitor Q e Gozu), mas também obras de cariz mais infantil e familiar (Zebraman). Para o nipónico, cada um dos seus filmes destina-se a um determinado público e cabe aos pais observarem bem o que os mais pequenos podem ver: «Eu confio na responsabilidade dos pais e encarregados de educação para que nenhuma criança veja, por exemplo, o Visitor Q  [uma fita que até tem cenas de necrofilia] depois de terem visto o Zebraman, que é do mais “naif” que já fiz. Os pais têm de entender que cada fita , mesmo que seja do mesmo autor, é destinada a públicos diferentes. Os meus filhos, por exemplo, estão proibidos de ver os filmes violentos que o pai fez; a minha esposa encarrega-se disso. O problema é que já não são bebés e começam a reconhecer alguns títulos e posters. Deixei-os ver The Great Yokai War, que é para todos. E gostaram».


Zebraman

Na entrevista, Miike falou ainda da sua experiência em filmar nos EUA, admitindo que foi uma desilusão porque achava que havia liberdade total para fazer o que quisesse. O resultado foi Imprint, filme que realizou para a série de TV Masters of Horror, o qual viria a ser fortemente censurado: «Achava que os EUA eram mais abertos devido à liberdade de expressão, mas dei-me conta que não era bem assim. Pensava que me deixavam fazer qualquer uma das das minhas ideias, ainda por cima sendo Imprint um filme a ser emitido num canal pago e num horário para o público adulto. Porém, os produtores ficaram inquietos que existisse uma cena em que morria um feto. Isso afetou-os e por isso decidiram, infelizmente, não emitir o episódio na TV».

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