
O segundo dia do MOTELx ficou caracterizado por um misto de emoções. Se a tarde ficou à mercê da nostalgia nas duas salas do Cinema São Jorge, a noite foi verdadeiramente escaldante. Quanto ao primeiro ponto, Turbo Kid e o documentário Dark Star – HR Giger’s World foram projetados em simultâneo, cabendo a escolha ao espectador. As recordações funcionaram sobretudo como um aspeto vital nestes dois visionamentos.
Na grande sala Manoel De Oliveira, a produção neozelandesa recambiou as audiências ao subgénero pós-apocalitiptico, situando a ação num futuro datado de 1997 (?). Depois de termos vibrado com o regresso de Mad Max e com a curta-metragem “sensação” Kung Fury, é bom evidenciar que o vintage continua a ser moda. Enquanto isso, na Sala 3 foi exibido Dark Star – HR Giger’s World, de Belinda Sallin, que nos remete aos devaneios artísticos de um dos maiores génios da arte plástica, HR Giger, celebrizado como o autor dos cenários de Alien, de Ridley Scott, o qual foi laureado com um Óscar da Academia.

Tales of Halloween
Com a chegada da noite, a chamada “sala-mãe” acolheu o terror no estado puro com o tailandês The Swimmers, de Sophon Sakdaphisit, e o projeto coletivo Tales of Halloween. Porém, o verdadeiro festim deu-se na sala 3 com dois filmes que combinaram luxúria com a mais pura perversão. Foi uma noite escaldante no MOTELx com Goddess of Love, de Jon Knautz, um filme rico em referências que nos remete aos limites da obsessão amorosa. Mesmo pisando nos lugares-comuns do género, a fita consegue incutir uma câmara impressionista que aproximou o espectador da sua protagonista (Alexis Kendra), uma stripper que apaixona-se loucamente por um homem fragilizado com o suicídio da sua mulher. Um amor que transforma-se numa cobiça mortal. Mas antes desta projeção, a atenção caiu em Patrick Mendes, que apresentou a sua nova curta, Sleepwalkers (Os Sonâmbulos), uma figurativa abordagem sobre o trabalho austero efetuado pela classe operária, retratando-os como seres inanimados num clima de contornos orwellianos.
Ben e Chris Blaine no São Jorge
De seguida surgiu Nina Forever, que contou com as presenças dos realizadores Ben e Chris Blaine [ler entrevista], uma obra bizarra e doentia que nos apresenta como a mais a mais recente hipérbole do fim do relacionamento e os ecos que se instalam. Isto, um ano depois do MOTELx ter arrancado a sua respetiva edição com Life After Beth. Nina Forever possui um gosto pelo humor negro, mas é o seu erotismo perverso e doentio que desconforta o espectador mais convencional. A sessão contou imensas gargalhadas e risos constrangedores do público nas suas sequências mais quentes.

