![]()
Um dos maiores símbolos do Cinema Novo, Paulo Rocha, regressa às salas de cinema pelas mãos das Midas Filmes. Dois dos seus mais aclamados trabalhos, Os Verdes Anos e Mudar de Vida, serão exibidos em cópias restauradas, no Cinema Ideal e no UCI Arrábida, seguindo depois por todo o país. Estes dois filmes maiores da cinematografia portuguesa do século XX serão também editados em DVD. É também, por fim, estreada a derradeira longa-metragem do cineasta, Se Eu Fosse Ladrão… Roubava [na imagem acima], mais de um ano após a sua antestreia na Cinemateca Portuguesa.
Os Verdes Anos (1962), juntamente com Dom Roberto, de José Ernesto de Sousa, é considerado o primeiro filme do Cinema Novo, corrente cinematográfica portuguesa fortemente inspirada pelo Neorrealismo italiano e pela Nova Vaga francesa. O seu argumento segue um rapaz de 19 anos, proveniente do campo, que chega à capital e procura integrar-se no meio que lhe é apresentado, com a ajuda do tio. Desfavorecido do capital essencial, apaixona-se por uma lisboeta com a qual não consegue manter uma relação estável. Este filme deixou para trás a tradicional comédia à portuguesa característica do nosso cinema desde os anos 30 e trouxe um novo olhar sobre as classes mais desfavorecidas, incapazes de se enquadrarem na sociedade lusa da altura, representada pela cidade de Lisboa.
![]()
Os Verdes Anos
Mudar de Vida (1967) retrata a vida de um pescador, no seu regresso a casa após ter combatido na Guerra Colonial, descobrindo que a sua noiva casou com o seu irmão. Tal como em O Acto da Primavera, de Manoel de Oliveira (onde Rocha trabalhou como assistente), o realizador mistura documentário e ficção (parte das personagens foram interpretadas por atores não profissionais, habitantes do Furadouro, onde a ação decorre), num filme firme sobre a Natureza e a guerra, que veio a influenciar futuros realizadores portugueses, como António Reis, Pedro Costa e João Pedro Rodrigues.
Se Eu Fosse Ladrão… Roubava fala do pai do realizador e do seu sonho em emigrar para o Brasil, nos anos vinte. Abordando também partes da vida do realizador e contendo excertos dos filmes do cineasta, assim como trabalhos de alguns dos seus ídolos (o poeta Camilo Pessanha), é um complexo filme testamento que, por fim, tem estreia comercial, mais de dois anos após a morte do seu criador.
O processo de restauração dos dois primeiros trabalhos foi supervisionado por Pedro Costa. Os filmes estarão em exibição de 14 a 27 de maio e as edições em DVD chegarão ao mercado a 16 do mesmo mês.

