Reações à morte de Manoel de Oliveira

(Fotos: Divulgação)

Um pouco por todo o mundo, de figuras da política ao desporto, passando inevitavelmente pela cultura, muitas têm sido as personalidades que têm manifestado o seu pesar pela morte de Manoel de Oliveira.

Num comunicado, o presidente da República, Cavaco Silva, classificou o cineasta como um «símbolo maior do cinema português no mundo e um dos nomes mais significativos na história da 7.ª Arte». Já Pedro Passos Coelho considera Oliveira como «a figura decisiva do cinema português no século XX (…) e o obreiro central da afirmação da cinematografia portuguesa a nível internacional e, através do cinema, da cultura portuguesa e da sua vitalidade». O governo decretou dois dias de luto nacional, enquanto a Câmara do Porto decretou três dias de luto municipal. Todos os partidos políticos já manifestaram o seu luto.

No mundo do desporto, a direção do ACP presta homenagem ao cineasta, considerando que a sua morte «deixa também o automobilismo nacional mais pobre» e que «juntamente com o seu irmão Casimiro, Manoel de Oliveira prestigiou o automobilismo nacional e o ACP, de que era o sócio número nove». Pinto da Costa, presidente do Futebol Clube do Porto referiu-se a Manoel de Oliveira como um amigo, um grande cidadão, um pioneiro do cinema, um grande dragão e um «português de referência». O presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, lamentou a morte do realizador, destacando o «desaparecimento de uma figura ímpar na sociedade contemporânea».

Na cultura, a atriz Leonor Silveira – que trabalhou inúmeras vezes com o cineasta –  afirmou que o trabalho de Oliveira lhe moldou a identidade e foi determinante para o seu «rumo pessoal e profissional». Rogério Samora, que colaborou com o realizador em filmes como Party, vê esta morte como «um grande museu ou um monumento, como o Convento de Cristo, que ardam». A ex-diretora da Cinemateca Portuguesa, Maria João Seixas, recordou que «Os grandes criadores não desaparecem».

Já o produtor de cinema Pedro Borges destacou a generosidade de Oliveira e a capacidade de resistir às tentativas de acabar com a sua carreira, enquanto o também produtor Paulo Branco disse à TSF que «Manoel de Oliveira era o Deus e o Diabo. Como todos os grandes artistas, tinha o seu lado diabólico e monstruoso. Sem essas qualidades, não se consegue ser um génio».

Mário Dorminsky, fundador do Fantasporto, certame que criou mesmo o Prémio Manoel de Oliveira na sua secção Semana dos Realizadores, frisa que este foi um «marco no cinema mundial e um precursor do neorrealismo italiano com Aniki Bóbó e do documentário, com o filme Douro Faina Fluvial»

O IndieLisboa usou o Facebook para relembrar que «Manoel de Oliveira não foi apenas o realizador com a carreira mais longa na história do cinema (…) Foi também um dos maiores exemplos de independência artística: um realizador livre, contra as correntes, sempre fiel à reinvenção da forma cinematográfica e da sua ligação com outras artes». O Doclisboa destaca o cineasta como um visionário que saltou há mais de quarenta anos a cerca que separava o documentário da ficção, enquanto o Panorama homenageia o realizador com um texto do próprio e que fez parte do catálogo da edição de 2006 da Mostra.

Quem também não podia deixar passar essa morte é a Academia de Cinema Português que adianta que Manoel de Oliveira será homenageado no Centro Cultural de Belém durante a Gala de entrega dos Prémios Sophia, evento que decorrerá hoje, dia 2 de abril, a partir das 21h30.

A RTP e os canais TVCine têm igualmente agendada uma programação especial dedicada ao realizador.

Internacionalmente, alguns dos principais festivais de cinema (Cannes, Veneza) relembram o cineasta, bem como alguns dos principais meios de comunicação social. Os Les Inrocks recorda o seu último encontro com o portuense, enquanto o Le Monde fala que com esta morte «o cinema perdeu o seu reitor». O Cahiers du Cinema despede-se do autor com um «Adeus...» e o espanhol El País descreve Oliveira como um «cineasta mítico». Já o italiano La Repubblica fala do falecimento de um «grande realizador», enquanto a imprensa norte-americana – Variety e Hollywood Reporter – destacam a longevidade do cineasta e a sua forte ligação ao mundo dos festivais, como Cannes.

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