
Morreu no passado domingo, dia 8 de março, a cineasta e atriz Bárbara Virgínia, que apesar de hoje ter sido praticamente esquecida dos livros de História do Cinema Português, ficou eternizada como a primeira mulher a realizar uma longa-metragem sonora, Três Dias Sem Deus (1945). Faleceu no Rio de Janeiro, Brasil, onde residia nos últimos anos.
Nascida a 15 de novembro de 1923, em Lisboa, Maria de Lourdes Dias da Costa (seu nome verdadeiro) iniciou a sua carreira como atriz de teatro após anos inscrita no Conservatório de Lisboa, onde estudou canto, piano, teatro e dança. A sua primeira peça foi Os Ladrões, ao lado de Alves da Cunha. Em 1945, entra no mundo do cinema com Sonho de Amor, de Carlos Porfírio, e com 22 anos realiza no mesmo ano Três Dias Sem Deus, o qual também interpreta (o filme só estrearia em 1946). Para além de ter sido a primeira obra dirigida por uma mulher em Portugal, foi também um dos primeiros representantes do nosso país, ao lado de Camões, de Leitão de Barros, na primeira edição de Festival de Cinema Internacional de Cannes.
Barbara Virgínia não voltou mais a realizar, mas continuou a atuar, tendo ainda participado no filme Aqui em Portugal, de Armando Miranda, para depois dedicar-se exclusivamente ao teatro e à rádio, nomeadamente no popular programa radiofónico “Comboio das Seis e Meia”. Muda-se para o Brasil, onde assina contrato com a TV Tupi. A sua carreira como atriz é tida como bem sucedida neste país.

