Panahi, Herzog, Wenders, Malick, Greenaway puxam dos galões numa competição que muito promete
Rodeada de estreias mundiais nas mais variadas seções, a 65ª edição do festival de Berlim promete muito, mais muito mesmo, para descobrir. O que promete ser uma semana altamente calórica, com muitas imagens em movimento para desbravar. O menu do melhor “World Cinema” começa já esta quinta feira com Nobody Wants the Night, da espanhola Isabel Coixet e terminará no dia 15, em redor de inúmeras estreias mundiais dividias nas várias secções, mas sempre com especial destaque para as iguarias da secção oficial que promete um Urso de Ouro.
Atentos a cada um dos vinte filmes dessa competição Ouro estão os membros que integram o júri presidido por Darren Aronofsky – Bong Joon-ho, Daniel Bruhl, Martha de Laurentiis, Claudia Llosa, Audrey Tautou e Matthew Weiner.
Numa semana que promete ser de todos os excessos, esperamos apenas passar ao lado de indesejáveis indigestões e regalar-nos com o melhor desse manjar cinéfilo. Para já, partilhamos o mapa do nosso menu de fitas. Para ver, sem fitas.
Nobody Wants the Night, de Isabel Coixet
(Fora de Competição)

© Leandro Betancor
A espanhola que regressa a Berlim já com a confiança de seis presenças, bem como uma participação no júri, abre a cortina com uma aventura de orgulho e determinação, para espelhar a viagem da mulher do explorador Robert E. Peary em busca de uma rota para o pólo Norte. Juliette Binoche e Rinko Kikuchi asseguram o duo feminino que assume uma odisseia de sobrevivência.
Taxi, de Jafar Panahi
(Competição)

O realizador iraniano, impedido de sair do seu país pelas autoridades locais, luta teimosamente contra o sistema empunhando a sua câmara de filmar. Desta feita, Jafar Panahi colocou no tablier de um táxi e conduziu diversos passageiros por Teerão à medida que avaliava o pulsar da sociedade atual. No seu comunicado afirmou: “O cinema como Arte é a minha principal preocupação. Por isso continuarei a fazer filmes em qualquer circunstância de forma a apresentar o meu respeito e a demonstrar que continuo vivo”.
Queen of the Desert, de Werner Herzog
(Competição)

© 2013 QOTD Film Investment Ltd. All Rights Reserved
Herzog viaja para o deserto para alavancar a história de Gertrude Bell (1868-1926), uma escritora, historiadora, mas também uma agente secreta britânica, com um papel crucial no xadrez político do Médio Oriente. Nesta versão feminina de Lawrence da Arábia não espanta ver Nicole Kidman no papel principal, sendo coadjuvada por James Franco, Damien Lewis e Robert Pattinson.
45 Years, Andrew Haigh
(Competição)

Agatha A. Nitecka © 45 Years Film Ltd
O ainda jovem realizador britânico surpreende ao recriar o espaço afetivo de um casal nas vésperas de comemorar 45 anos de casado, mas que é surpreendido pela notícia de que fora descoberto o corpo de uma antiga namorada do marido, falecida durante um acidente de esqui nos Alpes. Enquanto Tom Courtenay mergulha numa espiral de memórias diante deste corpo de juventude que permanece intocado pelo tempo, Charlote Rampling irá deambular entre a insegurança e o poder do ciúme ao mesmo tempo em que prepara a festa de ambos.
Rabo de Peixe, de Joaquim Pinto e Nuno Leonel
(Fórum)

A dupla de realizadores portugueses trás a Berlim uma nova montagem do documentário realizado nos Açores entre 1999 e 2001. Aqui se relata o modo de vida da faina manual dos pescadores da localidade de Rabo de Peixe, agora apenas preservado por estas imagens.
Ixcanul, de Jayro Bustamante
(Competição)

© La Casa de Producción
O jovem realizador guatemalteco estreia-se no grande formato com uma história que revisita a região indígena de Kaqchiquel Maia, no interior montanhoso da Guatemala, captando a história de uma jovem de 17 anos que decide fugir da casa dos seus pais e descobre que existe um admirável mundo novo.
Journal d’Une Femme de Chambre,
de Benoit Jacquot (Competição)

© Carole Béthuel
Depois de Jean Renoir, em 1946, e Louis Buñuel, em 1964, Benoit Jacquot tenta a sua versão sobre o romance de Octave Mirbeau, publicado em 1900, em pena crise de valores morais franceses. Assume agora Léa Seydoux o papel de Celestine, a criada de quarto que confronta a sua condição com a crueldade da burguesia.
Life, de Anton Corbijn (Gala)

Caitlin Cronenberg © See-Saw Films
O ex-fotógrafo convertido em realizador capta agora o momento em que o fotógrafo da revista Life, Dennis Stock, e um ainda desconhecido James Dean se encontram numa festa do realizador Nicholas Ray. É a nova oportunidade para Robert Pattinson de ‘limpar’ das manchas de sangue, embora todos os olhos estejam no promissor Dane DeHaan que promete fundir-se no papel de James Dean.
El Club, de Pablo Larraín
(Competicão)

© FABULA
Diante da sinopse do novo filme de Pablo Larraín, seguramente um dos mais interessantes cineastas chilenos da atualidade, a nossa curiosidade fica no auge. Sobretudo quando a narrativa promete colocar-nos em redor de sacerdotes que alternam preces com corridas de galgos. Mas serão mesmo os segredos e as acusações que se impõe quando um estranho chega a este ermo no fim do mundo e deixa os padres em alvoroço. Larraín já nos tinha assegurado que o período da contestação ao regime da ditadura de Pinochet tinha acabado com a trilogia Tony Manero, Post Mortem e Não. Esta será a prova.
Everything Will Be Fine, de Wim Wenders
(Fora de Competição)

© NEUE ROAD MOVIES GmbH, fotografia por Donata Wenders
Wim Wenders explicara na nossa recente entrevista os contornos deste filme que, pelos vistos, montou a tempo de chegar a Berlinale. O tal guião sobre um acidente que viação que acaba por afetar a vida de um agregado composto por Charlotte Gainsbourg e James Franco. Ele que será um dos rostos deste festival, também com Queen of the Desert, de Herzog, na secção competitiva, e ainda I Am Michael, no Panorama Special.
Knight of Cups, de Terrence Malick
(Competição)

Melinda Sue Gordon © Dogwood Pictures
O outrora ermita Terrence Malick parece recuperado da letargia de fazer um filme em cada cinco anos e estende agora o seu intelecto contemplativo em sucessivos projetos. Desta feita, a sua câmara promete deslizar entre Christian Bale, Cate Blanchett e Natalie Portman. Ele, uma pseudo estrela dependente da fama apesar da sua vidinha malsã; elas, ecos de um passado que valha em justificar o presente.
Cobain: Montage of Heck, de Brett Morgan
(Panorama Documente)

© The End of Music, LLC
A vida e o trabalho do frontman da banda Nirvana é revelado com acesso a imagens de arquivo nunca utilizadas, onde Cobain é mostrado na sua intimidade. Um documentário de que muito se espera, já que é assinado por Brett Morgan, autor de Crossfire Hurricane, sobre os Roling Stones, e The Kid Stays in the Picture, sobre o mítico produtor de Hollywood, Robert Evans.
Mr. Holmes, de Bill Condon
(Competição)

Giles Keyte © Slight Trick Productions
Revisitação da personagem de Sherlock Holmes, o famoso detetive saído das páginas de Sir Arthur Conan Doyle, é revisitado aos seus 93 anos, em 1949, numa adaptação livre da novela de Mitch Cullin, A Slight Trick of the Mind. Sabendo que é Ian McKellen na personagem do detetive de cachimbo, chega para ficarmos de sobre aviso.
Selma, de Ava DuVernay
(Berlinale Special)

No seu terceiro filme de longo formato, a realizadora, marketeer e distribuidora Ava DuVernay abraça o projeto ambicioso de acompanhar o relato do ativista Martin Luther King já depois de ter recebido o Prémio Nobel da Paz em 1964 e ter aderido a uma organização contra a descriminação racial na cidade de Selma. Apesar do protagonista David Oyelowo ter falhado a candidatura para o Oscar, sabemos já que a sua prestação é o farol deste filme.

