
Joe Staton, que desenhou o famoso homem-morcego durante a série Earth-Two, nos anos 70, caracteriza desta forma as transformações pelas quais passou o personagem nos últimos anos. Em conversa com o C7nema durante a AmadoraBD, que segue até dia 9 de novembro, Staton relembra que na altura em que começou a ideia era simplesmente retomar os primeiros tempos do Batman – da forma como era feito por Dick Sprang e Jerry Robinson nos anos 40. “Queríamos fazer algo diferente do que era produzido pela banda desenhada da altura“, observa.
Mas não há dúvida de que o Batman de hoje adquiriu um caráter muito mais negro do que nas comics antigas – e muito mais, certamente, do que na alegre série televisiva dos anos 60. A culpa foi do Frank Miller? “Sem dúvida!“, diz o desenhador. “O Cavaleiro das Trevas certamente teve a ver com isso, mas não só. A sociedade tornou-se mais sombria, neste momento é esta característica que atrai o público“.
Certamente as adaptações cinematográficas aprofundaram esta transformação – primeiro com as obras de Tim Burton e, recentemente, com os trabalhos de Christopher Nolan. Aí não só o super-herói surge transformado. “O Joker tem sido um tipo feliz e palhaço no cinema, de forma diferente da série de TV e, certamente, muito distinto do universo da banda desenhada, onde ele era muito mais negro“.

Nos últimos anos Staton tem estado envolvido com Scooby-Doo e Dick Tracy, pelo qual ganhou um Harvey Award no ano passado. “Trabalhei três anos no Dick Tracy, é um comic muito bom. E tem, desde a sua origem, uma série de similaridades com o Batman. Há um bocado do caráter deste último no detetive“, acredita. Atualmente o ilustrador trabalha no resgate de um personagem criado por ele nos anos 70, o E-Man.
Sobre a AmadoraBD, disse ter ficado surpreendido com a grande afluência de público e, em especial, com a quantidade de “Jokers” fantasiados que por lá circularam no final de semana em que concedeu autógrafos. “Tem sido fantástico. Nunca tinha visto uma coisa tão bem feita. Fizeram um grande trabalho“, arrematou.

