Cannes: Quando as personagens reais inspiram os cineastas

(Fotos: Divulgação)

Parece que um dos segredos na programação do Festival de Cannes é simplesmente a vida real. Personalidades inspiradoras, casos insólitos e referências do foro histórico fazem as delicias dos cineastas e o deleite dos espectadores do festival de cinema mais mediático de sempre. Vamos conhecer alguns dos mais “vistosos”:

Amour Fou

O poeta húngaro Christian Johann Heinrich Heine reencontra a sua juventude e com isso a sua apaixonante fúria de viver (ou talvez não) em Amour Fou, dirigido e escrito por Jessica Hausner (Lourdes). Descrito como o último dos românticos, a obra de Heinrich tornou se notória e estimada durante o seu tempo de juventude. O filme em questão aborda uma das tentativas do poeta em intensificar o amor através da morte. Christian Friedel (O Laço Branco) empresta o corpo ao poeta.

Foxcatcher

Steve Carrell abandona a comédia para integrar o elenco de Foxcatcher, o novo filme de Bennett Miller (Capote, Moneyball). O ator que ficou celebre pela sua participação na série The Office vai desempenhar o papel do esquizofrénico John du Pont, um homem condenado pelo assassinato do profissional de luta-livre, Dave Schultz, aqui interpretado por Mark Ruffallo, em 1996. O titulo do filme deriva dos estabelecimentos pertencentes a Du Pont, Foxcatcher Farmers, onde sob a sua alçada eram organizados campeonatos de wrestling e pentatlo. John du Pont, licenciado em zoologia, era um adepto de aves, chegando mesmo a publicar inúmeros livros de ornitologia.

Grace de Monaco

Até o filme de abertura é um biopic e um exemplar envolvido em imensas polémicas e repudia em geral (os filhos da atriz assumiram publicamente o seu desprezo). Grace Kelly, uma das mais celebres estrelas de Hollywood, é a figura central desta nova biografia de Olivier Dahan, que há anos atrás retratou a vida de Edith Piaf com La Vie en Rose, onde a protagonista, Marion Cottilard, venceu o ÓOscar de Melhor Atriz. Com todos estes indícios, Grace de Monaco é um bom indicador para Nicole Kidman regressar à ribalta após um “punhado” de fracassos de bilheteira. Já convencer a crítica parece estar longe de ser tarefa fácil. Até à data a obra em questão tem sido abatida pelos especialistas e nem o desempenho da australiana parece ficar imune. O biopic aborda um dos episódios mais importantes da vida de Kelly, a renuncia ao tapete vermelho de Hollywood em troca da realeza do Mónaco. Um romance com um príncipe e um país mergulhado numa desesperada situação social e económica, levaram a antiga musa de Hitchcock a questionar e a decidir a qual dos “mundos” pertence.

Jimmy’s Hall

O ultimo filme do realizador Ken Loach, presença habitual e consagrada nas diversas edições do Festival de Cannes, contou com o auxilio da equipa da Pixar para o material necessário para fazer uma montagem à moda antiga. Jimmy Hall remete-nos à história de James Gralton, um líder que tornou-se no único conterrâneo a ser deportado pelo Governo em 1933. Barry Ward (The Claim) desempenha o papel de Gralton.

L’homme qu’on aimait trop

 

O realizador dos Juncos Silvestres e Os Ladrões, André Téchiné, abordará um dos casos criminais mais prolongados e famosos da França: o caso de Agnés Le Roux, filha do proprietário do casino Palais de la Mediterranée que desapareceu em circunstâncias bizarras há mais de 35 anos. O principal suspeito, o amante de Agnés, o advogado Jean-Maurice Agnelet, encontra-se preso, mas mesmo após sete anos na cadeira continua a declarar-se inocente. Catherine Deneuve, Guillaume Canet e Adèle Haenel integram o elenco.

Mr. Turner

Timothy Spall a caminho dos Óscares? Por enquanto ainda é cedo para avançar com previsões mas tendo em conta as frescas críticas que surgem acerca de Mr. Turner, o novo filme de Mike Leigh (Segredos e Mentiras, Vera Drake), poderemos estar perante num fortíssimo candidato. A obra centra-se na vida do celebre, contudo excêntrico e resmungão, pintor britânico J.M.W. Turner (Joseph Mallord William Turner), personagem que Spall incarna com uma prestação notável. Marion Bailey, Dorothy Atkinson e Paul Jesson integram também o elenco.

Party Girl

O filme de abertura do Un Certain Regard, uma sessão paralela da competição oficial de Cannes que tem como intuito promover as primeiras obras, Party Girl de Marie Amachoukeli-Barsacq, Samuel Theis e Claire Burger é um trabalho hiper-realista, um híbrido de documentário e ficção onde a protagonista, Angélique Litzenburger interpreta um papel quase autobiográfico. O filme remete-nos às vivências de uma sexagenária que descobre o amor, e que tentará abandonar a sua vida boémia e noturna em prol dessa relação, algo que não será certamente fácil, visto que velhos hábitos nunca morrem. Uma obra que explora o amor tardio e o espírito jovem “duro de matar” e incursa uma desconstrução do romance cinematográfico, aproximando-o à realidade do nosso quotidiano.

Saint Laurent

Já são dois os biopic em 2014 sobre o famoso estilista francês, Yves Saint Laurent. O primeiro é o homónimo filme de Jalil Lespert onde Pierre Niney desempenha o artista de alta-costura e terá estreia nacional prevista para o próximo mês. O segundo, e talvez mais requintado e antecipado, é a obra de Bertrand Bonello (O Pornógrafo), intitulado apenas de Saint Laurent, aquele que foi já apresentado no Festival de Cannes. Gaspard Ulliel (Hannibal: A Origem do Mal) veste a pele do estilista, contudo este filme tem menos interesse na moda e mais na fragilidade emocional de Saint Laurent. O belga Jerémie Renier, que integrou outro biopic francês, Cloclo, de Florent-Emilio Siri, sobre o cantor pop Claude François, desempenha em Saint Laurent o companheiro Pierre Bergé.

Salt of the Earth

Wim Wenders (Asas do Desejo) reúne com o fotografo brasileiro Juliano Ribeiro Salgado para este Salt of the Earth, um documentário pessoal sobre o trabalho e a essência deste do referido artista de fotografia. A lente como a janela de um Mundo, a perspetiva alternativa que Wim Wenders sempre nos habituou.

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