25 filmes que vão dar que falar no Festival de Cannes

(Fotos: Divulgação)

Podem vir a não ser os melhores que passam pelo certame mas aquilo que abordam, marcam, os seus realizadores e atores, bem como algum hype ou polémica antecipada, tornam-nos em alguns dos filmes que certamente vão dar que falar no Festival de Cannes. Aqui fica uma lista com 25 títulos que destacamos:

Grace de Monaco

É o filme de abertura, apoia-se numa estrela do cinema e já levantou polémica pela forma como a família real do Mónaco o tenta descredibilizar e o seu realizador, Olivier Dahan procura defender: «eu sou um artista, não um historiador», disse o cineasta em relação a esta polémica, a segunda se formos a ver, já que anteriormente Dahan “pegou-se” com Harvey Weinstein para manter o controlo criativo sobre a obra. Até pode vir a ser um filme menos conseguido, mas certamente vai dar que falar..

Deux jours, une nuit

Regresso dos irmãos Dardenne a Cannes, numa história que se aproxima de certa maneira a um dos seus grandes sucessos: Rosetta. De regresso ao Croisette está também Marion Cotillard, ela que deu tanto nas vistas com o seu Ferrugem e Osso e que no ano passado foi de certa maneira desprezada pelo seu trabalho em O Imigrante [mais por culpa do filme do que dela]. Desta vez Cotillard é uma mulher que tem de convencer os colegas do trabalho a abdicarem do bónus anual da empresa para que possa continuar empregada.

Maps to the Stars

Um filme de Cronenberg é sempre um evento e mesmo que Cosmopolis tenha tido uma reação pouco favorável, os trabalhos do canadiano nunca passam ao lado dos aplausos e apupos. Robert Pattinson e Sarah Gadon regressam também a Cannes e com eles vêm  Mia Wasikowska, Julianne Moore, John Cusack, Olivia Williams e até Carrie Fisher para contar uma história de uma sociedade obcecada pela fama.

Lost River

É talvez a estreia mais aguardada do Festival de Cannes. O ator, que tem sido uma presença constante no certame através do protagonismo das obras de Nicolas Winding Refn, agora visita a Un Certain Regard com Lost River, um filme originalmente apelidado de How To Catch a Monster e que tem sido descrito como um drama fantasista noir com bastante suspense que tem como pano de fundo uma cidade em vias de desaparecer.

When Animals Dream

Se na seleção oficial o horror nunca foi um género com muitas vagas, nas mostras paralelas da Quinzena dos Realizadores e da Semana da Crítica encontram-se frequentemente alguns exemplos. E é nesta última que se insere When Animals Dream, uma fita descrita como «horror protestante», algures entre Deixa-me Entrar e Carrie, com uma temática que se aproxima dos lobisomens. 

Foxcatcher

Steve Carell como um esquizofrénico com tendências paranóicas? É isso que podemos esperar em Foxcatcher, o novo filme de  Bennett Miller (Moneyball) onde seguimos a verdadeira história de David Schultz (Mark Ruffalo), um lutador olímpico de luta greco-romana que foi assassinado por John du Pont (Carell). Channing Tatum também surge no elenco, mas é o tenebroso visual de Carell que mais marca à primeira vista.

Jauja

Lisandro Alonso, realizador de obras como La Libertad, Los Muertos, Fantasma e Liverpool, regressa a Cannes com Jauja, filme onde conta com Viggo Mortensen e Ghita Nørb no elenco. Raro é o caso do cineasta que em cinco filmes consegue estar presente em outras tantas edições do Festival de Cannes. Com duas participações na Un Certain Regard e três na Quinzena dos Realizadores, para quando a coragem de o selecionar na corrida à Palma de Ouro?

The Rover

Depois da bomba que foi Animal Kingdom, David Michôd ataca Cannes com The Rover, um filme que se passa dez anos depois do colapso da sociedade e onde seguimos um homem (Robert Pattinson) que vê o seu carro ser roubado e que se junta a um solitário (Guy Pearce) para encontrar o gangue de ladrões que quase o matou durante o assalto. Segundo filme no festival com a presença de Robert Pattinson – que a todo o custo tenta limpar a sua imagem da saga Twilight-, The Rover é um dos filmes com maior Buzz e promete voltar a mostrar a dureza do cinema de Michôd. 

The Tribe

É apontado como o filme choque a sair do Festival de Cannes. A competir na Semana da Crítica, o filme do ucraniano Myroslav Slaboshpytskiy é protagonizado por jovens surdos mudos que interpretam personagens que se encontram numa escola especializada onde existe uma hierarquia criminal. As primeiras imagens mostram violência e sexo, descrevendo o cineasta o seu projeto como uma forma de «homenagem ao cinema mudo».

Hermosa Juventud

Jaime Rosales é o único representante espanhol na seleção oficial do Festival de Cannes, marcando este seu filme a sua quarta presença no certame. Protagonizado pela debutante Ingrid Jonsson García, Carlos Rodríguez e Inma Nieto, o filme mistura imagens em 16mm com outras captadas por atores amadores para contar a história de um casal de namorados que luta para sobreviver na Espanha de hoje e que para ganhar algum dinheiro decidem executar um filme porno amador. A temática e a técnica prometem causar frissom, especialmente tendo em conta o estilo de Rosales.

Sils Maria

Olivier Assayas regressa a Cannes com Sils Maria, projeto onde encontramos Mia Wasikowska, Juliette Binoche e uma Kristen Stewart também ela a fugir da fama da saga Twilight. O filme está no top 3 dos que têm provocado maior buzz e espera-se que dê que falar após a sua exibição.

Adieu au langage

O novo filme de Jean-Luc Godard é esperado com alguma ansiedade, não só pelos seus mais acérrimos seguidores, mas também pelos outros que têm entendido que os últimos trabalhos do cineasta estão longe do brilhantismo de outros tempos. Provavelmente o filme será apludido e apupado, mas dificilmente o francês terá problemas com tartes como em 1985.

Bandes Des Filles

O filme de Céline Sciamma, que abre a Quinzena dos Realizadores, segue uma jovem oprimida pela familia e sem grandes perspetivas que se junta a três raparigas que fazem parte um gangue. A temática é imperativa em França, país onde o filme certamente dará que falar e provocará certamente discussão (e aproveitamento) a nível político.

Self Made

Qualquer filme que coloque israelitas e palestinianos no grande ecrã tem sempre grandes probabilidades de vir a ser muito falado. O mesmo se passa com Self Made, de Shira Geffen (Jellyfish), obra visualmente impressionante que segue duas mulheres – uma palestiniana e uma israelita – que acidentalmente trocam de vidas sem que ninguém note após uma confusão num checkpoint.

Le meraviglie

Alice Rohrwacher (Corpo Celeste) esperava ser selecionada para o Festival de Cannes mas não contava sê-lo na corrida à Palma de Ouro. Ao que consta a sua reação foi curiosa ao saber da escolha: desatou a chorar e a agradecer. Com alguns componentes autobiográficos, no filme estamos na Úmbria e seguimos uma família disfuncional que será afetada pela chegada de um programa de TV e de um jovem delinquente em recuperação. A irmã da cineasta, Alba Rohrwacher, o bailarino e ator belga Sam Louwyck, a suiça Sabine Timoteo e a italiana Monica Bellucci, são alguns dos nomes que fazem parte do elenco.

Incompresa

Ainda não tinha chegado a Cannes e Asia Argento já deixava recados no seu país à falta de apoios que o filme teve. Se pensarmos bem no famoso “pirete” que a atriz e realizadora fez da última vez que esteve no festival, sabemos que Argento tem sempre tendência a deixar a sua marca. Esperemos é que desta vez seja através do seu filme que trata a «história da descoberta do mundo por parte de uma menina que vive a separação dos pais».

The Homesman

Depois de ter estreado em Cannes em 2005 Os Três Enterros de Um Homem, Tommy Lee Jones regressa ao certame com The Homesman, um western de contornos dramáticos protagonizado por Hillary Swank, Hailee Steinfeld, Meryl Streep e James Spader. Quer Tommy Lee, quer Hillary Swank já viveram tempos melhores no cinema norte americano, podendo ser este filme um retorno à glória. Com James Spader metido ao barulho – ele que tanta apetência tem para participar em filmes marcantes, como Crash e Secretary – The Homesman poderá dar que falar.

The Salvation

Com Mads Mikkelsen e Eva Green, bem acompanhados por Eric Cantona, Jeffrey Dean Morgan e Mikael Persbrandt, The Salvation vem com a assinatura de Kristian Levring, um dos cofundadores do já fossilizado movimento Dogme 95. Trata-se de um western passado nos EUA, em 1870, que possui contornos de vingança, um tema que normalmente provoca comoção no certame. A sua presença na midnight antevê um filme duro, capaz de surpreender.

Turist

Ruben Östlund surpreende a cada filme. Basta lembrar Involuntäry ou o mais recente Play, capaz de provocar algumas discussões sociais. Se Östlund nos seus filmes anteriores tem seguido vários episódios e várias personagens, Turist é o oposto. Segue uma família sueca numas férias nos Alpes que é abalada quando uma avalanche irrompe. Até poderia ser um filme catastrofe, mas conhecendo Ostlund sabe-se que vai analisar “o estrangulamento da alma nórdica“. Promete e o pouco hype em seu torno facilita uma eventual surpresa.

Winter Sleep

Cabiam quase três Godard (o seu filme tem 1h10m) dentro de um Ceylan (Winter Sleep é o mais longo da competição, com 3h16m). Assim brincava a revista francesa Prèmiere sobre a duração da obra de Nuri Bilge Ceylan, que desta vez leva a Cannes a história de um homem em crise com uma esposa da qual se encontra emocionalmente distante e com uma irmã que sofre de um divórcio recente. O tema nas mãos de Ceylan pode ser verdadeiro ouro.

Jimmy’s Hall

Em teoria – até porque no cinema nunca se sabe – este será o último filme de ficção de Ken Loach, um cineasta com mais de uma dezena de presenças em Cannes, tendo conquistado diversos prémios pelo caminho. O filme, que contou com uma preciosa ajuda de material para a sua montagem da equipa da Pixar, segue a história de James Gralton (Jimmy/Jim Gralton, aquele que até hoje continua a ser o único irlandês a ter sido deportado pelo governo local em 1933.

Le Chambre Bleue

Adaptação ao cinema, assinada por Mathieu Amalric, a partir da novela policial escrita em 11 dias por Georges Simenon (o criador do Inspetor Maigret), o filme produzido pelo português Paulo Branco é descrito como “simples, rápido e dentro do espírito de um verdadeiro filme série B“. As primeiras imagens mostram ser impactantes desta história de adultério e crime que poderá consagrar Amalric.

L’Homme qu’on aimait trop

Mesmo estando fora de competição, este filme sobre Agnés Le Roux, uma mulher desaparecida em circunstâncias bizarras e suspeitas há mais de 35 anos, vai dar que falar em França. Aliás, o país sempre viveu apaixonadamente este mistério. Assinado por André Téchiné, L’Homme qu’on aimait trop não deverá trazer nada de novo ao caso, mas certamente criará novamente burburinho em volta dele.

Mommy

Xavier Dolan, o realizador mais novo a competir à Palma de Ouro, já no passado participou quatro vezes no certame, tendo vencido mesmo a Quinzena dos Realizadores quando tinha apenas 20 anos (com o filme J’ai tué ma mère). Desta vez Dolan leva ao certame Mommy, filme que poderá levá-lo à consagração na «1ª liga» de Cannes

Leviathan

Versão moderna que se apoia livremente no Livro de Jó. Esta é a proposta de  Andrey Zvyagintsev, realizador consagrado em 2011 por Elena. Fala-se que é um dos candidatos já aos prémios e pelo currículo do cineasta, certamente será dos mais falados.

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