Cineastas e agentes culturais brasileiros refletem sobre o papel da memória no seu cinema

(Fotos: Divulgação)

Ana Johann, José Euclides Paiva, Filipe Arrojo Poroger, Fernando Segtowick e Thiago Pelaes, juntamente como o montador de Luiz Rosenberg Filho, Gustavo Herdt, respondem à questão levantada pelo C7nema.


Ana Johann, diretora do curta Notícias da Rainha | Foto Daniela Nader/Divulgação

O mote da direção para o CinePE foi “a memória”. O c7nema procurou saber de que forma essa ideia está presente nos seus trabalhos. “A questão da memória é sempre interessante“, adianta Ana Johann, autora da curta Notícias da Rainha, um pequeno filme, coeso e bem desenhado, de resto fortemente ancorado no passado. “Como o Christian Metz diz, “o passado é sempre ficção“. É essa a forma de contar e narrar.” O filme é curioso na forma como funde essa memória dessa mulher que foi uma verdadeira “menina da rádio” com a da rainha Isabel de Inglaterra. “Eu coloco a minha história no espaço do teatro“. É dessa forma fragmentada que encena o “resgate” da história de uma mãe.

José Euclides Paiva trouxe à memória o lado folclórico do bacamarte, a arma usada durante os séculos XVIII e XIX, recuperada no bem intencionado “No Tiro do Bacamarte… Explode a Cultura de Pernambuco“, de Xisto Ramos. “No meu caso“, diz, “a cultura vem de cultivar, por isso não existe cultura sem passado. E com este projeto eu tenho sido incansável em buscar a cultura popular“.


Felipe Arrojo Poroger, diretor da curta O Filho Pródigo | Foto Daniela Nader/Divulgação

No caso do meu filme, O Filho Pródigo, a memória está na própria história“, salienta o jovem Filipe Arrojo Poroger. No fundo, a história de um filho desaparecido há nove anos. “As relações do personagens fundam-se a partir disso mesmo. E não será apenas uma memória afetiva, mas também uma memória idealizada em que as estruturas ficam regidas por uma violência social“.

O registo da crença religiosa domina No Movimento da Fé, de Fernando Segtowick e Thiago Pelaes, observando um dos maiores eventos religiosos e registando a forma como a multidão se emociona. No caso, à procissão de homenagem a Nossa Senhora de Nazaré, no segundo domingo de outubro, ao longo das ruas de Belém, no Estado do Pará. “Eu quis fazer um filme de fotografias que deixasse registada essa processão. E que permanecesse para o futuro“, defende Fernando.


Gustavo Herdt, montador da curta Linguagem | Foto Daniela Nader/Divulgação

Em defesa do projeto de Luiz Rosenberg Filho, intitulado Linguagem, o montador Gustavo Herdt explicou que “Linguagem tem uma relação com a memória do cinema brasileiro“, refere sobre a inspirada curta composta por colagens de recortes cinéfilos. “O autor caracteriza-se por um cinema de invenção. Quem conhece o Rosenberg, sabe o que ele faz. E o que ele fez está na memória das pessoas. Nesse sentido, o filme pertence a essa memória do cinema brasileiro“. Um acervo que apelida chama de “cinema de invenção“, e, por conseguinte “a história e a memória deste artista fica na memória do cinema brasileiro“.

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