Judaica: querelas eclesiásticas encerram a Mostra com «O Cardeal Judeu»

(Fotos: Divulgação)

Em ritmo de telefilme (é uma coprodução da Arte France), O Cardeal Judeu encerra hoje (30/03) a 2ª Mostra de Cinema Judaico no São Jorge, em Lisboa. Com muito humor e um desempenho marcante de Laurent Lucas, o filme mergulha nos bastidores da nomeação de um judeu (Jean-Marie Lustiger, falecido em 2007) para o arcebispado de Paris em 1981, pelo então “jovem” papa João Paulo II.

Mais do que simples querelas religiosas, O Cardeal Judeu tece um ágil panorama sobre todas as consequências da nomeação de um eclesiástico que, depois de ter sido nomeado cardeal, resolve assumir publicamente que, além de católico, é um judeu fiel às suas raízes. Como política religiosa e tolerância nunca foram noções que andaram juntas, a insistência do papa em manter esse polémico religioso, ainda para mais dotado de um espírito aventureiro e liberal, que anda de mota e fuma como uma chaminé, resulta em acalorados debates e manobras internas. A exibição da obra será sucedida por um debate.

No último dia da Mostra também será mostrado o documentário Dançando em Jaffa, que aborda o trabalho de um dançarino que retorna à sua terra (que dá nome ao filme) após cinco décadas com uma missão: unir num concurso de dança crianças judias e palestinianas. Uma tarefa que revela-se das mais complicadas, por razões óbvias, mas que na sua singularidade mostra tanto os obstáculos quantos os absurdos de uma sociedade radicalmente dividida e onde os dois grupos são ensinados a odiarem-se desde a mais tenra idade.

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