
A meio do festival, o cansaço começa a instalar-se e a disponibilidade para conseguir aceitar e interagir com certas aventuras torna-se menor. A Sessão 2 da Competição internacional de curtas é um daqueles conjuntos de filmes que são, no primeiro impacto, difíceis, quer pela recusa de significados óbvios e de uma semiótica familiar, quer pelo uso agressivo do som que caracteriza alguns dos filmes que os constituem, mas, como disse Didi-Huberman, rejeitar não é crítica e a crítica não é rejeitar.
Collectors/Coleccionadores é uma metáfora para a ganância desmedida, ilustrada pelo coleccionismo, acabando por se ficar por uma crítica muito superficial e inconsequente. The End/O Fim faz parte daquele movimento que se queixa da transposição da película para o digital, acabando por fetichizar o meio onde se produz a arte, ignorando o conteúdo e todos os outros componentes que constituem a forma. Acaba por ser um filme barulhento que parece estar sempre a começar, sem nunca chegar a lado nenhum. Unicorn Blood é um daqueles projectos juvenis que parece querer apresentar uma crítica, mas que o faz de uma maneira atabalhoada e pouco eficaz. A animação é um misto de animação para crianças com uma atitude desagradável, reforçado pelas palavras e ações das personagens. No site podemos ver que já ganhou vários prémios, por isso aceito que possa estar enganado ou que não seja o seu público alvo.
Há mais filmes na sessão, mas os que funcionam melhor são The Wound/A Ferida, um filme russo que conta a história de alguém que encontra na sua dor e ressentimento um amigo, mas que acaba por perceber o seu erro, Trespass, do austríaco Paul Wenninger, um filme mesmerizante e Gloria Victoria, um retrato do século XX, usando imagens e símbolos de movimentos políticos, arte e propaganda.
Na segunda sessão da noite, o veterano Bill Plympton trouxe o seu projeto financiado por crowdfunding Cheatin’. A crítica seguirá em breve.

