Ontem começou finalmente a competição internacional, com sessões de curtas e longas no São Jorge e no Alvalade, paralelas ao resto do programa do festival. A primeira sessão da Competição Internacional de Curtas foi a que está agrupada no programa como “Sessão 5” e que será de novo apresentada no São Jorge na sexta-feira. Como todos os conjuntos de curtas, o tom e os estilos usados são tão diversificados como a qualidade dos filmes que os constituem, fazendo que a experiência não seja a mais equilibrada.
O filme que mais sobressaiu desta sessão foi, sem qualquer dúvida, Tram/Eléctrico, que já tinha passado pelo Curtas Vila do Conde. Uma fantasia erótica de uma condutora de eléctrico, num quotidiano cheio de homens cinzentos. O filme começa aparentemente calmo, com o início do dia a dar início ao percurso do eléctrico, que se vai enchendo de homens completamente alheios à sua condutora, mas pouco a pouco vai-se percebendo que o prazer que esta vai sentindo cada vez que estes picam os seus bilhetes não é o de um trabalho bem feito, mas erótico, e que a sua fantasia vai explodindo ao mesmo tempo que se esforçar para ter cuidado com a estrada e as paragens. O filme faz parte de um projeto, “Sexperiences” , que pretende explorar as fantasias sexuais femininas na forma de curtas animadas.
A sua realizadora, Michaela Pavlátová já fez outras animações, tendo mesmo sido nomeada para o Óscar de Melhor Animação em 1993 com o seu filme Reci, Reci, Reci/Words, Words, Words. O seu trabalho pode ser visto aqui onde, logo no início, se pode ver e interagir com a dita condutora de elétrico.
Feral
O resto dos filmes mostravam experiências na animação, como Shift/Mudança de Max Hattler e Along the Way/Pelo Caminho de Georges Schwizgebe, ou pequenas histórias mais infantis, como My Mum is an Aeroplane!/A Minha Mãe é um Avião! de Julia Aronova, ou mais adultas, como The Hungry Corpse/O Cadáver Faminto e Feral de Daniel Sousa. Das duas curtas portuguesas apresentadas, vale a pena chamar atenção a ANA – Um Palíndromo, de Joana Toste, uma brincadeira de palavras e imagens, com tons poéticos.
Na segunda sessão da competição foi apresentado o filme brasileiro Rio 2096: Uma História de Amor e Fúria, cuja crítica estará disponível mais tarde no site.

