O próprio filho é o principal suspeito do assassínio de Eduardo Coutinho, um dos mais importantes e premiados realizadores de documentários do cinema brasileiro. O cineasta tinha 80 anos e foi esfaqueado, alegadamente, pelo próprio filho, Daniel, de 42, que sofria de esquizofrenia e teria tido um surto psicótico. A mãe também foi atingida, mas conseguiu trancar-se numa divisão do apartamento onde a família vivia, no Rio de Janeiro, e pedir socorro ao outro filho. Após o ato, Daniel tentou, sem sucesso, o suicídio, e está internado num hospital psiquiátrico.
Uma triste ironia para o cineasta cujo trabalho mais famoso chama-se Cabra Marcado para Morrer. Neste filme de 1984, clássico absoluto do cinema brasileiro, Coutinho recontava de forma semidocumental a história de um camponês assassinado em 1962 – ponto de partida que servia para uma abordagem da vida dos pobres no interior do nordeste brasileiro. Mas a obra ganhou uma particularidade: teve as suas filmagens interrompidas em 1964, após a instauração de uma ditadura militar no Brasil, mas ele conseguiu retomá-las quase 20 anos depois. Conseguindo localizar a esposa do seu biografado, assim como testemunhas da altura, Coutinho conseguiu concluir o filme. Cabra Marcado para Morrer venceu dois prémios no Festival de Berlim e ganhou o Golfinho de Ouro no Festroia.
Os pobres e desafortunados sempre foram os protagonistas dos seus documentários, não só do mundo rural como os do universo urbano, como em Babilónia 2000 e Edifício Master. Coutinho contribuiu ainda como argumentista para diversos filmes importantes dos anos 70 e 80.

